Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 17 - julho de 2019

ESPAÇO EMPRESARIAL

Ações inteligentes são propulsoras ao desenvolvimento do setorial

O mercado de pré-fabricados em concreto tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Mesmo nos tempos de crise, a diversidade de segmentos para os quais fornecemos e a tenacidade de nossa indústria nos tem sustentado. A agilidade, a versatilidade e a modernidade são alguns dos diferenciais de obras produzidas com o nosso sistema construtivo. Mas, apesar de ser um mercado promissor e de estar em constante evidência, algumas ações podem ser intensificadas para seguir com um avanço ainda mais equilibrado.
Uma das necessidades atuais de nosso segmento é a capacitação dos colaboradores sobre o processo fabril, uma vez que, apesar de muitas instituições de ensino terem iniciado o trabalho com o tema, há muito ainda a fazer. A indústria precisa disponibilizar recursos contínuos em capacitação, o que significa investir no mínimo de 1% a 3% das horas mensais ou anuais nessa tarefa. É certo que se houvesse uma maior oferta de especialização na área, nosso setor seria beneficiado, pois haveria maior disponibilidade de mão de obra formada e também de cursos específicos na área.
 Outro ponto crítico de nosso segmento está relacionado às normas regulamentadoras, que são necessárias à segurança e à saúde do trabalho, mas que precisam contar com a participação de toda a cadeia produtiva. Vemos surgindo, atualmente, intenções por parte de nossos governantes de reavaliar essas normas em vigência, o que é positivo do ponto de vista do setor de pré-fabricação de concreto. Isso porque algumas delas não contemplam os sistemas industrializados e precisariam, certamente, serem revistas. Dentro da NR-12 e da NR-10, por exemplo, certas regras são pouco viáveis para serem adotadas e praticadas, prejudicando a produtividade, que acaba reduzida em até 50%. As normas regulamentadoras foram desenvolvidas tendo como base especialmente a forma convencional de construção e seguramente para o futuro precisam acompanhar o desenvolvimento tecnológico do setor da construção civil. A ABCIC já envidou muitos esforços neste sentido participando da Comissão Permanente Regional (CPR) levando as suas contribuições para a NR-18. O Manual de Montagem que será lançado é um exemplo real de todo este esforço. 
O segmento de pré-fabricados de concreto tem ainda muito a contribuir para a evolução da construção civil brasileira. Para melhorar a produtividade, é preciso buscar adequações dentro de um processo de industrialização preferentemente a um processo tradicional trabalhado “in loco”. 
Nesse sentido, a padronização de geometrias para alguns segmentos pode auxiliar o processo fabril e contribuir para o aumento da produtividade, já que ela possibilita a adoção de uma medida mínima para diversos projetos. No entanto, é importante não ultrapassar os limites da liberdade criativa e do uso do sistema construtivo. É certo que, hoje, há o desafio decorrente de se ter muitas trocas e muitas seções diferentes – tanto na parte de ferragem, de fôrmas, na parte operacional, de complementos, de movimentação, de logística, de transporte, fazendo com que mesmo se produzindo em fábrica o produto seja desenvolvido sob medida podendo especialmente inviabilizar soluções para empreendimentos de baixo valor agregado que já são extremamente penalizadas com uma carga tributária maior do que os sistemas executados em canteiro. Este binômio tem comprometido a nossa competitividade e o aumento da produtividade na construção civil. 
Por todos os pontos citados acima, é muito importante participar de uma associação como a ABCIC, que contribui sobremaneira para que o segmento do pré-fabricado se fortaleça e avance. O associativismo é ótimo para poder compartilhar experiências, melhorias, mudanças e juntos ampliarmos as possibilidades de uso da pré-fabricação. Além disso, a associação torna possível o acesso à atualização de informações oriundas das mais diversas partes do mundo, principalmente com as promoções de missões técnicas, o que faz com que se tenha contato com as inovações e tendências do desenvolvimento tecnológico a nível mundial.