Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 17 - julho de 2019

CENÁRIO ECONÔMICO

Agenda de longo prazo é vital para recuperar o crescimento

Depois de uma sequência de oito resultados positivos, o PIB brasileiro registrou no primeiro trimestre de 2019, sua primeira queda na comparação com o trimestre anterior, livre de influência sazonal. A retração foi pequena (-0,2%), mas emblemática. Na verdade, o resultado não surpreendeu – a retração já havia sido antecipada pela maioria dos analistas a partir de vários indicadores antecedentes, inclusive as sondagens empresariais e do consumidor. O resultado decorreu especialmente do investimento, que teve sua segunda queda consecutiva, baixando a taxa de investimento para 15,50%, a segunda pior da série histórica iniciada em 1995.
Desde o início de 2017, quando se caracterizou plenamente o fim da recessão, já se vislumbrava um processo lento de retomada. No entanto, o baixo ritmo de crescimento está surpreendendo os mais pessimistas: o PIB do primeiro trimestre de 2019 ficou quase 5% abaixo do PIB do primeiro trimestre de 2014. Nessa mesma comparação, o PIB da construção ainda está 31% menor. 
Vale notar que pelo lado da demanda, o resultado positivo do consumo das famílias conseguiu amenizar a queda do primeiro trimestre. No entanto, já há motivos de preocupação: houve desaceleração do crescimento da demanda das famílias.
O Boletim Focus do Banco Central mostrou a atualização para baixo das projeções para o PIB 2019, que agora apontam taxa mediana de crescimento abaixo de 1% - inferior à taxa dos dois últimos anos! E os indicadores de produção da indústria e das vendas do comércio relativos a abril sugerem que a atividade começou o segundo trimestre bastante fraca. 
As Sondagens empresariais e do consumidor da FGV passaram a mostrar maior oscilação no humor de consumidores e empresários. De fato, a alta da confiança dos primeiros meses não se sustentou, refletindo a frustração com o ritmo de melhora da economia e, principalmente, com a falta de perspectivas claras de crescimento. Está se formando um círculo vicioso no qual o ritmo lento de recuperação, a capacidade ociosa elevada e as incertezas adiam as decisões de investimento, o que, por sua vez, dificulta ainda mais o crescimento.
E qual a razão da economia estar prisioneira dessa armadilha de baixo crescimento, já começando a flertar com nova retração?  Sabe-se da importância da Reforma da Previdência, mas mesmo em sua melhor versão, ela não será suficiente para alavancar o crescimento. 
Para a construção, o resultado previsto para o PIB de 2019 pela FGV foi revisto de 2% para 0,5%. Essa alta deve ser garantida pela demanda das famílias por obras realizadas por meio de autoconstrução ou pequenos empreiteiros. A construção formal não conseguirá alcançar um resultado positivo, especialmente em decorrência do encolhimento contínuo da infraestrutura.
Sem uma agenda de longo prazo com foco na recuperação do investimento, o país não conseguirá ultrapassar a taxa de 1%.  Provavelmente não irá conseguir alcançar esse resultado em 2019.