Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 10 - abril de 2017

CENÁRIO ECONÔMICO

Além do retrovisor

A divulgação dos resultados do PIB confirmou a profunda recessão vivida pelo país em 2016. Na verdade, foi o segundo ano de retração da atividade, que acumulada superou 7%, configurando o pior resultado desde a segunda guerra. O número em si é bastante dramático, mas a rapidez da queda também assustou, assim como a disseminação pela economia e pelo país. 
A construção se destacou negativamente com uma queda de 5,2% em relação a 2015, passando a acumular retração de 13,2% nos últimos três anos.
Quando se olha os números pela perspectiva da demanda, o destaque negativo foi a queda de 10,2% na formação de capital, que levou a taxa de investimento do país (investimento total sobre PIB) a cair cerca de 2 pontos percentuais, retrocedendo para 16,4%.
Mas  muitos analistas minimizaram o resultado do PIB, colocando-o apenas como um espelho retrovisor, ou seja, um retrato do que aconteceu no país, uma vez que o momento atual já seria diferente. 
É realmente verdade que há boas indicações de que o pior da crise parece ter ficado para trás. As últimas sondagens, realizadas nos dois primwweiros meses do ano, mostraram que finalmente a percepção em relação à situação atual começou a melhorar tanto para as empresas como para consumidores.  Ainda que não se observe otimismo, é uma mudança em relação ao quadro do ano passado, quando apenas as expectativas melhoraram, sem respaldo na atividade corrente.
As pesquisas reforçam, portanto, as projeções de retomada da economia em 2017. As últimas estimativas da FGV/IBRE apontam um crescimento do PIB de 0,4%.
No entanto, é preciso ter em mente que a recuperação não está garantida. Uma taxa de 0,4% pode se reverter facilmente em nova queda e muitos fatores externos e domésticos podem contribuir para isso. Ainda existem muitas incertezas, especialmente no plano político. 
No caso do setor da construção, a queda superior à da média da economia mostra desafios maiores para a retomada. Assim mais que um espelho retrovisor, os números do ano passado indicam também a dimensão do desafio que irá representar a recuperação do investimento. A queda foi muito intensa, o que significa que as empresas estão com um nível de ociosidade ainda muito elevado. Houve uma desmobilização grande, muita mão de obra qualificada foi dispensada. 
A boa notícia veio da Sondagem de Investimento da FGV realizada nos primeiros meses do ano. A pesquisa mostrou um aumento no indicador de investimentos para os próximos 12 meses, que voltou ao patamar de neutralidade. Além disso, a pesquisa mostrou que houve uma diminuição substancial na incerteza em relação aos planos de investimentos.  
No entanto, como seria de esperar, as empresas de materiais de construção ainda estão mais pessimistas que a média das indústrias de transformação. 
De fato, a retomada da demanda na construção depende muito de variáveis como emprego, renda, crédito.  O crescimento previsto para o setor em 2017, de 0,5%, estará fortemente amparado nas obras do Programa Minha Casa Minha Vida e na anunciada retomada de obras paradas de infraestrutura. 
Para além de 2017, será o aumento dos investimentos em infraestrutura a peça determinante não apenas do crescimento setorial , mas do país como um todo. O sucesso do primeiro leilão realizado no ano aumenta o otimismo e as perspectivas de retomada. Mas o caminho de volta para o crescimento será lento e longo e envolverá muito esforço.


Ana maria castelo
Coordenadora de projetos do IBRE/FGV

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