Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 23 - setembro de 2021

PONTO DE VISTA

Construção civil precisa se movimentar na direção da digitalização e da transformação digital

Quais são as principais inovações adotadas nos ambientes construídos do país? E no mundo?
Pode-se perceber muita inovação em toda a cadeia produtiva da indústria, permitindo colocar que é possível levar inovação para cada etapa do processo no ciclo de vida de um empreendimento. 
Pensando no ambiente construído em uso, na fase pós-construção do edifício podem ser incorporados inúmeros sensores e atuadores para uma operação segura e econômica com esquemas de manutenção preditiva. É a Internet das Coisas (IoT) que, junto com a modelagem de informações relacionada com o BIM, permite se alcançar o conceito de gêmeos digitais. A ideia é ter uma edificação construída virtual e digitalmente, com sensoriamento remoto com coleta de dados que vem do ambiente real. Diversas tecnologias permitem essa interação entre o real e o virtual, como a identificação por radiofrequência (RFID), o posicionamento por satélites (GPS), os dispositivos com baixa emissão de ondas eletromagnéticas, como o Bluetooth, muito usado em telefones celulares, que podem servir como unidades de controle. 
Assim, um operador em uma estação de controle ou a partir de um celular pode visualizar dados de utilização de energia, temperatura, luminosidade, umidade, ruído, movimentação e ocupação de espaços, além de controles diversos sobre a operação e o uso de equipamentos instalados. Também o desempenho de materiais especificados em projeto e utilizados ao longo do tempo pode ser comparado com o que foi previsto em simulações durante a fase de projeto. Neste ponto entra a ideia de Big Data, com a coleta de grandes quantidades de dados e a utilização de Inteligência Artificial que podem ser aproveitados para predição de comportamento do ambiente construído. Outra tecnologia é a de veículos autônomos ou mesmo guiados remotamente, como drones, em larga utilização no Brasil, e robôs autônomos que já começam a estar presentes em canteiros pelo mundo.

Qual sua opinião sobre os estágios de evolução das dimensões do BIM?
Cabe inicialmente colocar que estamos cada vez mais atendendo aos "usos do modelo BIM" e não mais as chamadas "dimensões do BIM". Estamos deixando de falar em dimensões 5D, 6D, 7D ou maiores para tratar com mais especificidade do uso do BIM para um determinado objetivo que se quer atingir quando se trata, por exemplo, de orçamentação para fins de obtenção dos custos ou comparação de alternativas de técnicas e processos construtivos, análises de eficiência energética ou análises quanto a aspectos relacionados a  construções mais sustentáveis. 
Na atualidade, “os mandatos BIM” norteiam as contratações e esclarecem os requisitos do cliente, do projeto, do intercâmbio de informações nos processos e em um chamado Plano de execução BIM (BIM Execution Plan) devem estar declarados com clareza quais os usos do modelo BIM pretendidos.
De qualquer modo, é natural que, em fases iniciais de uso do BIM, as empresas tratem somente da modelagem tridimensional (BIM3D) e logo depois das atividades de compatibilização que tratam de verificação de interferências (clash detection). É um dos primeiros usos e, de fato, traz resultados verdadeiros, com redução de erros e retrabalhos na fase de execução no canteiro de obras. Depois, em um  escopo mais relacionado com etapas de execução nas construtoras, as atividades de planejamento (BIM4D) e orçamentação (como parte do BIM5D) entram em pauta. 
Outros usos do BIM passam a ser mais correntes e tem maior especialização, como em análises de desempenho relacionadas com a norma ABNT NBR15575 e análises energéticas na busca de edificações mais sustentáveis.  

Nesse sentido, como tem sido a evolução na aplicação do BIM pelas empresas do setor? E, em termos de dimensões, o Brasil está aplicando quais com maior frequência?
No Brasil, o quadro de aplicações do BIM segue a mesma lógica apontado na questão anterior. Há mais de uma década houve momentos de uso somente por empreendimentos de maior porte, envolvendo projetistas e construtores de certa envergadura. Depois, ao longo do tempo, pode-se aquilatar que houve um aumento de uso também por projetistas e construtores de porte mais modesto. Certamente, com o Governo Federal implementando a Estratégia BIM.BR, haverá uma boa aceleração na disseminação da adoção do BIM.