Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 21 - dezembro de 2020

GIRO RÁPIDO

ENIC reuniu de forma virtual o setor da construção

A 92ª edição do Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) foi realizada entre os dias 2 e 3 de dezembro. O evento 100% online contou com 4.511 inscritos e uma agenda de painéis técnicos, político e econômico. 
“Foi o primeiro evento organizado totalmente pela CBIC”, frisou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, ao ressaltar que uma das vantagens desta edição online é que os inscritos poderão conferir pelos próximos 60 dias todas as palestras técnicas e os painéis gerais do evento no site do encontro.
O evento contou com as participações do vice-presidente, General Hamilton Mourão, do Ministro da Economia, Paulo Guedes, do Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e de parlamentares. 
Guedes falou sobre a possibilidade de facilitar as importações de aço e de outros insumos básicos da construção civil, como vêm defendendo os empresários do setor. Disse que está “dando um tempo” às siderúrgicas nacionais para regularizarem a oferta interna. Se a produção brasileira não for ampliada, anunciou que irá começar a reduzir as tarifas de importação. Segundo explicação do Ministro, com a queda da demanda pela pandemia, as siderúrgicas desligaram 12 altos fornos, que levam tempo e exigem recursos elevados para serem religados. 
Um dos painéis teve como tema “Industrializar é preciso – Construção 2030”, que ressaltou a importância do uso da tecnologia para atender demandas relacionadas à sustentabilidade e ao déficit habitacional e de infraestrutura. Para o professor Vanderley John, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a construção civil precisa se industrializar porque é necessário construir mais com menos. 
Segundo John, a alvenaria tem 5 mil anos e não é uma solução de alta produtividade. Isso porque é preciso um bom volume de emprego de mão de obra, que na construção civil tende a se tornar cada vez mais escassa, devido as perspectivas de redução da população economicamente ativa em 2035. Também participaram desse painel Luís Alberto Breda Mascarenhas, diretor de operações e vice-reitor do SENAI CIMATEC, e Luis Filipe Araujo, especialista de projetos da Arcelor Mittal Engenharia Inovação.
O evento também teve as avalições de empresários do setor da construção, que foram enfáticos sobre a urgência a importância das reformas tributária e administrativa, em tramitação no Congresso Nacional, para aumentar a produtividade da economia e, em consequência, para o desenvolvimento do país. “Temos de modernizar a agenda do Brasil com as reformas, porque o mundo está se modernizando e não podemos ficar para trás”, disse Rubens Menin, presidente da MRV Engenharia.
O ENIC também inseriu em sua programação um painel sobre BIM (Building Information Modeling), que mostrou que o custo da tecnologia não é alto ou caro, uma vez que oferece uma série de benefícios, incluindo, a diminuição de prazos e a redução de custos. Segundo a engenheira Márcia Codecco, ao contrário do que alegam muitos empresários da construção, o BIM tem custo mensal acessível, entre R$ 300 e R$ 1.200, equivalendo, na pratica, ao custo de um servente de obra. “O BIM não é para quem pode, é para quem quer, porque é acessível a todos. Não usando o BIM, o empresário da construção vai perder e ser esquecido no mercado, pela falta de competitividade”, assinalou.

Ministro Paulo Guedes comentou sobre a possibilidade de facilitar as importações de aço e de outros insumos básicos da construção civil