Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 23 - setembro de 2021

CENÁRIO ECONÔMICO

Otimismo com cautela

O PIB do primeiro trimestre veio acima das projeções realizadas no final do ano passado, o que refletiu uma resiliência da atividade à segunda onda da pandemia. O aprendizado das empresas em relação aos protocolos sanitários foi um fator importante, mas também o cansaço da população e a necessidade de trabalhar, uma vez que o novo auxílio emergencial teve o alcance e o valor reduzidos.
O crescimento de 1,2% do PIB na comparação com o trimestre anterior foi uma boa notícia ao mostrar que a atividade subiu mais um degrau, colocando a economia em um patamar superior ao que se encontrava antes do início da pandemia. O resultado imediato foi a revisão para cima do crescimento de 2021. Os resultados de maio das pesquisas da indústria, do comércio e dos serviços confirmaram a dinâmica positiva de retomada. Assim, as projeções do mercado, expressas no boletim Focus do Banco Central, que apontavam taxa anual de 3,40% no final do ano passado, passaram a apontar uma expansão superior a 5% em julho.
É fato que o avanço da vacinação, ainda que lento, trouxe mais confiança para empresários e consumidores. As sondagens da FGV mostraram que em todos os segmentos empresariais houve melhora nos últimos meses: em junho, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) alcançou o melhor resultado desde dezembro de 2013. A confiança dos consumidores também registrou crescimento, embora não tenha retornado ao patamar pré-pandemia. 
A cadeia da construção está inserida entre as atividades que se recuperaram mais rapidamente.  A sondagem da Cadeia da Construção vem mostrando que a indústria de materiais está à frente do movimento: é a que registra a maior confiança. Depois da desorganização das cadeias globais de suprimento em todo o mundo, a indústria já superou o patamar pré-Covid e ainda cresce puxada pela demanda e pela necessidade de recomposição de estoques. 
Recente Sondagem realizada pelo FGV IBRE com as associadas da Abcic  apontou que as empresas de pré-fabricados de concreto integram a parte confiante da indústria. Para 2021, as empresas estão otimistas e apontam um crescimento superior ao verificado em 2020: 88% delas indicaram aumento da produção, sendo que 74% esperam crescer mais de 10%.
Diz a sabedoria popular que cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Talvez os tempos que vivemos sejam propícios a recuperar o ditado de nossas avós.
A principal cautela com o crescimento projetado para o país em 2021 é que ele expressa desempenhos desiguais das diversas atividades. Se a indústria de transformação já superou o patamar pré-pandemia, os serviços prestados às famílias ainda estão distantes de recuperar. Ou seja, a economia não está se recuperando de maneira uniforme. O mercado de trabalho reflete esse desempenho desigual: o mercado formal mostra uma retomada mais expressiva frente ao mercado informal. O número de desalentados, ou seja, daqueles que não voltaram a procurar emprego ainda é muito grande, o que puxa para baixo a recuperação do consumo. A confiança do consumidor nas faixas de menor renda ainda expressa um pessimismo grande.
A cautela também tem raízes na elevação dos preços, que passou a ser um grande limitador da melhoria de vida e dos negócios dos consumidores e das empresas. 
Em junho, o Índice de Preços ao Produtor materiais e componentes para a construção (IPA-DI) e o Índice Nacional da Construção Civil materiais e equipamentos (INCC-DI) registravam aumentos acumulados em 12 meses de 43,8% e 34,1%, respectivamente. Como o ritmo de aumentos das commodities vem se reduzindo e a elevação da Selic também tem contribuído para conter a desvalorização cambial é possível que essas taxas tenham alcançado agora o nível máximo no ano e comecem a desacelerar.
De todo modo, para o setor da construção formal, o cenário se mostra promissor. Vale lembrar que 2022 será ano de eleições e a maioria dos estados já começa a desenhar seus planos de investimentos.