Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 20 - outubro de 2020

ARTIGO TÉCNICO

Pré-Fabricação em Concreto: Exemplos de Aplicação em Infraestrutura no Brasil e os benefícios de sua utilização para a sociedade

1. Introdução
A pré-fabricação em concreto, por seus inúmeros benefícios vem sendo utilizada em todo o mundo, em obras de diferentes segmentos da economia. A redução significativa dos prazos de execução que chegam até 50% em algumas situações associada a tecnologia envolvida nos processos de produção e a execução dos elementos em ambiente controlado, que agregam maior qualidade em relação aos métodos convencionais de construção tem sido, especialmente para investidores, as principais razões para adoção deste sistema. Porém no Brasil e no mundo as soluções pré-fabricadas de concreto, cada vez mais se destacam por seu uso em obras de infraestrutura, especialmente na Engenharia de Transportes, que engloba a aplicação em pontes, viadutos, túneis, pavimentos, praças de pedágio, barreiras sonoras, dormentes para linhas ferroviárias, estações de metrô, BRT (Bus Rapid Transport), aeroportos, portos e estaleiros, energia. Este uso tem crescido significativamente nos últimos anos em especial pela grande visibilidade que as necessidades do país frente as demandas dos grandes eventos esportivos trouxeram , não somente na construção dos estádios e demais equipamentos construídos entre 2012-2014, cujos prazos de execução foram viabilizados por esta solução, como também por toda a necessidade de infraestrutura conforme consta do ranking publicado pela Abcic (Associação Brasileira da construção Industrializada de Concreto) em seu anuário em 2016, dentro da Sondagem realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) [1].

Foto 1: Estação de Mêtro do Rio de Janeiro

Considerando as aplicações em transportes, outros benefícios ganham relevância, especialmente no que diz respeito as ampliações, duplicações ou alterações de demanda, como aumento da capacidade de carga comum em rodovias. Tratam-se de obras que usualmente devem ser executadas sem que se interrompa o uso total pela população, gerando ainda maiores cuidados com segurança. Não apenas para promover um maior benefício ao empreendimento, mas também para a sociedade, minimizando impactos com redução de tráfego e de acidentes bem como tempo e custos com combustível. Além do pós execução com redução nos custos e tempo na execução da manutenção.

Fotos 2 e 3: Aeroporto de Vitória

Outro aspecto que tem sido destacado como vantagem na literatura internacional, PCI, é o comportamento das estruturas pré-fabricadas de concreto frente às cargas acidentais como incêndio e em países em que são necessárias a consideração de sismos e/ou ataques terroristas, nas quais a resiliência da solução face a soluções de projeto e sistemas de amortecimento nas ligações, minimizam riscos e possibilitam incremento significativo na segurança.  
A partir destas considerações iniciais, o presente artigo traz como proposta explorar alguns   exemplos recentes de obras realizadas em infraestrutura viária no país destacando os aspectos que viabilizaram a aplicação, englobando os desafios e a inovação, no projeto, na produção dos elementos e nos processos de execução (produção e montagem). 

2. Infraestrutura rodoviária 
Em função de suas dimensões continentais e do predomínio de um sistema de transporte de cargas e passageiros eminentemente rodoviário, o Brasil tem uma permanente necessidade de ampliar e manter em bom estado de conservação sua malha rodoviária. E o país, ao longo das últimas décadas, tem investido considerável soma de recursos nessa área. Segundo a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), desde 1995, as concessionárias destinaram cerca de R$ 97 bilhões para obras e serviços de melhoria da malha viária nacional. 
Nesse sentido, há uma grande aplicabilidade de estruturas pré-fabricadas de concreto no segmento de obras de infraestrutura rodoviária, com por exemplo, em viadutos, passarelas, pontes, praças de pedágio e demais obras de arte de estradas e rodovias.
Sem dúvida, a localização das obras de pontes e viadutos nas rodovias é, muitas vezes, de difícil acesso ou distante demais das fábricas. No caso do segmento rodoviário, também é usual ser necessário elementos de grandes dimensões, fazendo com que as condições de transporte e das próprias estradas favoreçam o uso de pré-moldado de canteiro e não o produzido em unidade fabril. Assim, em se tratando de obras rodoviárias, não existem questões de ordem técnica em se optar por canteiro ou fábrica, mas principalmente de logística. Sempre que possível é recomendável que esteja envolvida a expertise da indústria e principalmente além de normas específicas de dimensionamento, com a de pontes, as prescrições da ABNT NBR 9062, Projeto e Execução de Estruturas Pré-Moldadas de Concreto [2] seja atendida integralmente, pois aspectos como resistência de desforma, liberação de protensão, estabilidade global em especial durante a execução devem ser atendidos a fim de garantir a integridade dos elementos estruturais e a segurança durante a montagem, que segundo a mesma norma requer o estabelecimento de um planejamento de montagem incluindo o  Plano de Rigging. A não observância destes aspectos poderá levar a ocorrência de acidentes. A observância dos requisitos desta norma se relaciona especialmente com todos os cuidados que as estruturas pré-moldadas, sejam de canteiro ou fábrica(pré-fabricadas) requerem do projeto à montagem especialmente no que diz respeito as ligações e as situação transitórias (da liberação das formas ou pistas até a montagem).  
Recentemente no prolongamento da Rodovia Carvalho Pinto (SP-070) até o município de Taubaté, no interior de São Paulo, houve a construção de três pontes (OAEs 1, 2 e 3), no trecho inicial, de modo a minimizar o impacto ambiental, adotando-se uma solução rápida para criar um corredor de fauna, exigência emergencial da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para liberar a licença ambiental para o todo o trecho do prolongamento da rodovia. Para isso, como solução principal foram usadas estacas-pilares em concreto pré-fabricado centrifugadas com dupla função, atendendo a fundação e pilar com a mesma peça; vigas longarinas protendidas em pistas com protensão realizada por pré-tração e pré-lajes em concreto armado.