Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 14 - outubro de 2018

INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA

Pré-fabricado de concreto avança para novos horizontes

Consolidado no país, o sistema construtivo está ampliando sua participação tanto em grandes obras como em projetos de menor porte, mas com conceito arquitetônico diferenciado, principalmente em empreendimentos residenciais e comerciais

Edifícios Garagem são os primeiros prédios a ficarem prontos e cada unidade tem um prazo de 60 dias

Segundo Costa, dentre as principais vantagens desse sistema, destacam-se a velocidade de execução e a quantidade reduzida de resíduos gerados no canteiro que proporciona obras limpas. Os edifícios-garagem serão os primeiros prédios do complexo a ficar prontos, o que ocorre em um prazo de 60 dias para cada unidade. Com isso, sete garagens estão finalizadas. 
A Marna Pré-Fabricados é responsável pelo fornecimento das estruturas de pré-fabricado de concreto em nove edifícios-garagem, sendo que quatro deles estão concluídos, dois, em fase de montagem e três, na parte de projeto e fabricação. São pilares, vigas armadas, vigas protendidas, lajes alveolares, painéis de fechamento e escadas. O volume total de concreto pré-fabricado é de 11.700 m³ e a área total desses nove empreendimentos é de 71.110 m². 
Dentre os principais desafios para a fabricação das estruturas estão os pilares. “Eles possuem uma complexidade grande devido à quantidade de consolos. Chegamos a produzir pilares com 31 consolos. Outro elemento que trouxe desafios foi a escada pré-fabricada, com largura de 2,30 m em uma única peça. Também tivemos vigas em formato “L” com altura de 2,15 m. Utilizamos concreto com fck 50 MPa para todos os elementos estruturais”, explica Guilherme Fiorese Philippi, diretor da Marna Pré-Fabricados.
Para edifícios-garagens com cinco ou seis pavimentos, como é o caso da maioria das obras deste projeto, Philippi elucida que são usados normalmente guindastes com capacidade de 70 toneladas. “Em alguns momentos, em determinadas obras mais altas, que chegaram a oito níveis de laje, tivemos que utilizar guindaste de 220 toneladas. Isso se deve, principalmente, à necessidade de comprimento de lança de 60 metros”. Em termos de montagem, outro ponto desafiador foram os pilares com emenda. “Chegamos a ter pilares com 29,28 metros, divididos em dois elementos de 20,93 metros e 8,35 metros. Tivemos obras com mais de 50 % de pilares emendados”, conta.

Diferentes etapas da montagem que envolveu planejamento da logística e cuidados com o travamento desde a fase de projeto

Outra peculiaridade destas obras, além da altura, é a grande esbeltez das mesmas. “Temos obras com largura de 14,70 metros e 27,93 de altura, o que traz dificuldades no travamento da edificação na fase de montagem. Houve um planejamento rigoroso desde a fase de projeto, em que foram previstas ligações com solda e grauteamento das vigas, para que a estabilidade dos edifícios fosse alcançada”, explana Philippi. Para alcançar o resultado esperado, foram realizados cálculos em diversas fases, como por exemplo, sem chaveteamento das lajes e sem capeamento das lajes, com chaveteamento e com as ligações executadas, com capeamento das lajes em alguns pavimentos e finalmente com capeamento em todos os pavimentos e todas as ligações executadas. “Dessa forma, a montagem das estruturas precisou ser paralisada de tempos em tempos para possibilitar a execução do capeamento e as ligações in loco necessárias.
Aliás, as ligações, de acordo com Philippi, foram a principal questão técnica do projeto de edifícios-garagens do complexo residencial da MRV Engenharia. “Tivemos ligações com solda, ranhuras entre vigas e pilares com posterior grauteamento, vigas e painéis com armaduras para serem desdobradas e solidarizadas à capa, dentre outras soluções”, exemplifica.