Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 5 - agosto de 2015

INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA

Pré-fabricado viabiliza obras para Olimpíadas 2016


FICHA TÉCNICA ARENAS CARIOCAS
Localização da obra: Rio de Janeiro/RJ
Cliente: Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
Construtora: Concessionária Rio Mais 
Engenheiro responsável pelo Projeto estrutural: João Luis Casagrande
Projeto arquitetônico: Arqhos
Engenheiro responsável: Fernando José Viotto Monteiro Pacheco
Área total: 50.000 m²
Estrutura pré-fabricada: CPI Engenharia 
Responsável técnico pelo pré-fabricado: Raul de Almeida e Silva Jr.
Tipo de peças utilizadas: pilares, vigas, arquibancadas e lajes.
Início da obra: abril de 2012
Previsão de término da obra: fevereiro de 2016

Além das dificuldades relativas ao cronograma, extremamente rigoroso, Casagrande cita ainda um grande obstáculo adicional à realização das obras. Talvez o maior deles. "Foi um desafio inédito para a engenharia brasileira, pois nunca tivemos de contemplar em nossos projetos, por exemplo, uma estrutura capaz de suportar um atentado terrorista provocado por uma explosão", comenta Casagrande, lembrando que essa exigência foi feita pelo COI e tem base nas legislações vigentes para construção de equipamentos esportivos na Europa e nos Estados Unidos.
Para atender tal determinação, segundo explica o engenheiro Flávio Isaia, responsável pelo projeto executivo, da IGA Engenharia e Consultoria, o projeto das ligações e o cálculo dos componentes utilizados no Velódromo, foi necessário projetar uma estrutura pré-fabricada com um grau de engastamento viga x pilar capaz de absorver, nestas ligações, os momentos fletores positivos e negativos, bem como os momentos torsores, os esforços axiais e os esforços cisalhantes, sendo dotada de nós extremamente rígidos que em nada devem a uma estrutura convencional, por exemplo. Todas as estruturas pré-fabricadas de concreto dessa obra foram produzidas pela Premo Construções e Empreendimentos.


FICHA TÉCNICA CENTRO OLÍMPICO DE TÊNIS
Localização da obra: Rio de Janeiro/RJ
Cliente: Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
Construtora: CTDI – Consórcio Tangran, Damiani e Igeg
Engenheiro responsável: Eduardo Rosmam
Arquiteto: João Pedro Backheuser
Área total: 50.000 m²
Estrutura pré-fabricada: Cassol Pré-fabricados Ltda.
Responsável técnico pelo préfabricado: Gustavo Rovaris
Corresponsável pelo projeto estrutural: Charles J.R. Hipólito
(Cassol Pré-fabricados Ltda.)
Projeto estrutural: Antônio Monteiro (SF Engenharia)
Volume de concreto préfabricado: 4.5189,346 m³
Tipo de peças utilizadas: pilares, vigas aramas/protendidas, lajes e arquibancadas
Início da obra: julho de 2014
Previsão de término da obra:
Anel inferior – setembro de 2014;
Anel superior abril de 2015;
fechamento do acesso à quadra julho 2015.
"Nesse quesito, fomos até além do normal em nosso meio para atender às exigências feitas pelo COI, pois visam evitar o colapso progressivo mesmo que uma peça estrutural seja destruída, ou seja, a estrutura é capacitada para estancar a progressão dos efeitos de um PUF (Ponto Único de Falha), como, por exemplo, uma explosão, de forma a evitar que, a partir deste PUF, se desenvolva o desabamento global do edifício", detalha Isaia. "A chave do projeto é que a estrutura só pode entrar em colapso após um tempo para que as pessoas sejam retiradas do local", complementa Casagrande, salientando que esse conceito foi aplicado não somente no Velódromo, mas em todas as demais instalações. 
Em razão dessa exigência, a Premo teve de inovar em vários aspectos. "Foram criadas novas emendas de pilares, que permitiram as continuidades de armaduras e detalhes de continuidade para atender ao conceito do PUF", afirma Francisco Celso Silva Rocha, integrante do Conselho Técnico da Premo que, além de produzir as estruturas pré-fabricadas, foi a responsável pela montagem parcial dos pilares, vigas, lajes alveolares e degraus das arquibancadas.Coube também à Premo executar a solidarização parcial dos vínculos. 
Outro desafio enfrentado na obra do Velódromo foi a exigência da arquitetura para se compatibilizar a visão que o público terá da pista, que é muito rente às arquibancadas e com inclinações variáveis. "Esse fato veio a requerer ângulos de visadas rasantes e muito próximos à pista, o que não permitiu a colocação de consolos aparentes abaixo das vigas do teto do pavimento de acesso ao público, sendo permitidos apenas consolos nos pilares do perímetro da obra", explica Isaia. O engenheiro salienta ainda que, como a geometria da obra é esconsa, em função do formato do velódromo ser semelhante ao capacete de ciclista, não há eixos paralelos entre si em toda a construção, o que causou um considerável aumento nos vãos: alguns chegam a 140 metros. 
Também no caso das obras do Centro Olímpico de Tênis, localizado ao lado do Velódromo, as dificuldades em termos construtivos foram de grande monta. "O primeiro desafio foi a adaptação do projeto para o pré-fabricado, pois o original foi concebido na Alemanha e previa estrutura moldada no local", diz Gustavo Rovaris, gerente da unidade do Rio de Janeiro da Cassol Pré-Fabricados e responsável técnico pelas estruturas pré-fabricadas de concreto utilizadas no Centro de Tênis. 
Outra complexidade destacada por Rovaris em relação a essa obra é que, por ela ser circular, foi preciso estudar com muita atenção a geometria da estrutura, de modo a garantir sua montagem sem contratempos. Segundo o engenheiro, outro complicador na obra foi o fato de todos os pilares externos serem totalmente inclinados para fora. “Tivemos ainda de ter um cuidado extra com as emendas no trecho inclinado dos pilares da parte mais alta das arquibancadas. O desafio foi a modelagem deste trecho da estrutura e a montagem destes pilares, bem como a sequência de montagens das peças que se apoiam neles”.