Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 5 - agosto de 2015

INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA

Pré-fabricado viabiliza obras para Olimpíadas 2016


FICHA TÉCNICA ARENA FUTURO – (Handebol)
Localização da obra: Rio de Janeiro/RJ
Cliente: Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
Construtora: Dimensional Engenharia
Engenheiro responsável: Vinicius Benevides
Arquiteto: Gilson Santos
Área total: 24.214 m²
Estrutura pré-fabricada: Cassol Pré-fabricados
Responsável técnico pelo pré-fabricado: Gustavo Rovaris
Projeto estrutural: Consórcio Rio Projetos 2016
Corresponsável pelo projeto estrutural: Marcia Makiyama (Cassol Pré-fabricados)
Volume de concreto pré-fabricado: 2.257,8 m³
Tipo de peças utilizadas: lajes alveolares e arquibancadas
Início das obras: março 2015
Previsão de término da obra: Novembro 2015.
No que diz respeito à união entre as estruturas pré-fabricadas e a cobertura metálica do centro, Rovaris conta que ela exigiu uma grande quantidade de insertos e luvas para garantir o engastamento entre as peças. “Houve ainda a necessidade de um vigamento metálico unindo o topo dos pilares, fechando o contorno da obra, fazendo o papel de anel de tração/compressão, de modo a garantir a estabilidade da estrutura”, complementa o engenheiro da Cassol. Além das estruturas para o Centro de Tênis, a Cassol também está fornecendo as arquibancadas da Arena de Handebol. Ainda em relação a obras indiretamente ligada aos jogos, a Cassol fornece estruturas para obras em hotéis, a ampliação da Estação Metrô General Osório e também para a ampliação do Aeroporto do Galeão (ver mais informações no box).
No que diz respeito às três Arenas Cariocas, que servirão para diversas modalidades esportivas e que podem receber, simultaneamente, um público total de quase 40 mil pessoas, o grau de complexidade não foi menor. "As formas arredondadas das arenas fizeram com que o projeto fosse executado sem uma repetitividade de peças, o que dificultou um pouco o planejamento e a produção das estruturas pré-fabricadas", comenta o engenheiro Ricardo Margoni, da CPI, pré-fabricadora encarregada de fornecer pilares, vigas, lajes e arquibancadas para as três arenas.
O engenheiro da CPI argumenta ainda que a própria metodologia construtiva, a concepção estrutural do projeto, que uniu pré-fabricado, concreto convencional e estrutura metálica, dificultou sobremaneira a montagem da obra. "Para vencer esse desafio, contamos com nossa experiência em obras semelhantes anteriormente executadas pela empresa, como a construção do Estádio Nilton Santos (Engenhão), que nos ajudou, principalmente na fase da montagem da obra", enfatizou Margoni. 
Toda a pressão relativa à necessidade de construir com a agilidade para cumprir o rigoroso prazo definido pelo calendário acabou por ajudar as pré-fabricadoras a inovar em vários quesitos. "Nós conseguimos, por exemplo, no caso do Velódromo, fazer as emendas dos pilares concomitantemente à condição de engastamento pleno viga x pilar. Além disso, eliminamos consolos e eixos esconsos", conta Isaia, responsável pelos cálculos das estruturas fornecidas pela Premo. 
Outra inovação desenvolvida a partir do trabalho realizado para a construção do Velódromo, segundo Isaia, foi a colocação dos degraus das arquibancadas esconsos, analisados dinamicamente e com terminação semirrígida nos apoios. Além dessas inovações técnicas, o engenheiro salienta que houve avanços também na questão gerencial. "A busca por soluções, exigiu uma coordenação e um planejamento conjunto envolvendo fabricação, logística de insumos e montagem que possibilitou a antecipação da encomenda de componentes, a contração de equipes especializadas, a aquisição dos recursos de moldes, o planejamento operacional da montagem, assim como as programações de fabricação, transporte e montagem", relata Isaia. 
Também em relação ao Centro Olímpico de Tênis, o engenheiro Rovaris, da Cassol, relata que houve uma série de inovações. "Uma delas foi a que permitiu que o sistema de apoio da primeira viga do lance superior das arquibancadas, viga única que faz o papel de guarda-corpo, faixa de circulação do público e primeiro banco, pudesse estar engastado na extremidade inferior da viga jacaré", detalha. 
No caso da Arena de Handebol, que também está sendo construída com pré-fabricados da Cassol, Rovaris informa que a inovação conseguida foi o desenvolvimento de bancos especiais necessários para se fazer o sistema de ligação com a estrutura metálica. "Temos como aprendizado a compatibilização do sistema pré-fabricado com a estrutura metálica e montagem especial sob a cobertura metálica. Acredito que esse seja o grande exemplo onde o pré-fabricado de concreto pode e deve conviver com outros sistemas", completa Rovaris. 
Essa convivência entre sistemas construtivos se fortalece no caso de obras desafiadoras como as destinadas aos Jogos Olímpicos. Para a presidente-executiva da Abcic, o sucesso do pré-fabricado no caso das obras para as Olimpíadas, é mais uma confirmação do "avanço tecnológico, comercial e organizacional do pré-fabricado brasileiro, que conta com empresas de ponta e com uma engenharia moderna e capaz de fazer frente aos desafios". 
Além disso, as obras para as Olimpíadas 2016 também dependeram de um arranjo gerencial, financeiro e logístico que implicou numa série de dificuldades. "Para que um projeto do porte dos que estamos tocando caminhe bem, eu dependo e tenho de interagir com uma gama muito grande de profissionais de diferentes instituições", analisa o engenheiro Casagrande. "É preciso negociar com diversas esferas municipais, estaduais, governo federal, construtoras, COI, consultores de confederações de esportes, além de instituições financeiras", complementa. 
Para ele, essa é uma grande dificuldade de um processo de obras para Olimpíadas. "Quando eu projeto ou participo da construção e uma ponte ou um edifício, por exemplo, tenho de me reportar ao dono do empreendimento e a uma construtora, no máximo. No caso das Olimpíadas, acabamos tendo vários "clientes" e não se pode dizer não para nenhuma deles", conta Casagrande. Não poderia ser diferente, afinal de contas  está sendo construída uma estrutura ampla que envolve além da parte esportiva uma série de outras obras nas áreas de transporte, mobilidade, energia e logística. No total, segundo dados da Prefeitura do Rio de Janeiro, o orçamento das obras para as Olimpíadas chega a R$ 38,2 bilhões.
Pré-fabricado também contribui na ampliação do Galeão e em obras de infraestrutura urbana
A agilidade proporcionada pelas estruturas pré-fabricadas de concreto não se restringe apenas às instalações esportivas necessárias para a realização das Olimpíadas de 2016. Elas também estão sendo decisivas na ampliação do Aeroporto do Galeão, principal porta de entrada de atletas e turistas. Com previsão de conclusão para abril de 2016, as obras do principal aeroporto carioca incluem novas pontes de embarques, dois novos pátios, ampliação dos estacionamentos, construção de um novo saguão para embarque e desembarque, com 26 pontes. 
"Em função da grande padronização de vãos e sobrecargas, a ampliação do Galeão se encaixa perfeitamente nas características do pré-fabricado de concreto", observa o engenheiro e consultor em estruturas Eduardo Millen, contratado pelo Consórcio Construtor Galeão como consultor das estruturas pré-fabricadas para analisar e elaborar pareceres técnicos, desenhos, visitar as obras e fazer a interface com os vários pré-fabricadores que estão fornecendo as estruturas.
Assim como ocorre em obras de shoppings, galpões logísticos, escolas, pontes e viadutos, hipermercados e obras industriais, a utilização de pré-fabricado em aeroportos, segundo Millen, proporciona: redução do prazo de execução da obra, melhor qualidade da estrutura, diminuição dos custos globais da obra, além de menor perda de materiais, resultando em menos impacto ambiental. "No caso de redução de prazo de execução da obra, estimativamente, costuma-se considerar diminuição de 30% a 40% no prazo de execução em comparação com uma estrutura convencional”, afirma o consultor.
No caso das obras do aeroporto, Millen relaciona uma série de desafios enfrentados. O principal, segundo ele, é relativo a projetos. "As estruturas pré-fabricadas exigem dos demais sistemas antecipação dos respectivos projetos, pois as peças começa a ser produzidas durante a fase de fundações", pontua. Assim, complementa o consultor, apoios especiais, insertos e aberturas necessárias aos outros sistemas devem estar definidos antes da pré-fabricação para evitar retrabalho. 
Diversas empresas de pré-fabricados participam do esforço para a ampliação do Galeão. "No começo deste ano, fomos contatados, fechamos um contrato emergencial e estamos fornecendo um total de 17.400 m² de lajes alveolares", informa André Pagliaro, diretor da Alveolare Brasil. Exatamente pela necessidade de acelerar a conclusão da obra é que o Consórcio Construtor Galeão incorporou mais uma empresa pré-fabricadora no esforço de realização da Obra. "Para nós foi um grande desafio e uma excelente oportunidade de comprovar nossa competência", conclui Pagliaro. 
Além da Alveolare Brasil, também a Cassol, a CPI e a Engemold fornecem estruturas para a ampliação do Galeão. No caso da Engemold, sua participação se restringe ao fornecimento de lajes tipo Bubbledeck utilizadas para a construção do estacionamento do Terminal II. "Temos ali no Galeão uma participação modesta", diz Cláudio Gomes de Castilho, diretor da Engemold. "Agora também estamos fornecendo estruturas pré-fabricadas de concreto para obras voltadas para a infraestrutura da cidade do Rio de Janeiro e que estão, indiretamente, relacionadas com a realização dos jogos", complementa.

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