Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 23 - setembro de 2021

DE OLHO NO SETOR

Transformação digital e industrialização são as peças-chave para aumentar a produtividade do setor da construção

Tema foi debatido na sessão plenária de abertura da Smart.Con, que contou com a avaliação de Íria Doniak, presidente executiva da Abcic. A associação também esteve presente em importantes eventos promovidos por entidades, evidenciando os benefícios da pré-fabricação de concreto para diferentes tipos de projetos

Na última década, houve um avanço significativo no lançamento de inovações e novas tecnologias na construção, com o intuito de beneficiar o setor em diversos pontos, como o aumento da produtividade, a ampliação da segurança aos envolvidos e ao entorno, a redução de custos operacionais e o atendimento às boas práticas de governança ambiental, social e corporativa (ESG). Desse modo, o estímulo à adoção de inovações tecnológicas deve ser uma prioridade em toda a cadeia produtiva, impulsionando a competitividade e a rentabilidade dos negócios. 
Para tratar desse tema, nos dias 6 e 7 de julho, foi promovida a primeira edição da Smart.Con, que se propôs a disseminar conhecimento, novas tecnologias e inovação, por meio de uma programação, formada por mais de 30 sessões simultâneas e 80 palestrantes, que discorreram sobre os temas mais relevantes em quatro pilares: engenharia, infraestrutura, real estate e rental. O evento online contou com o apoio da Abcic.

Íria Doniak participou do painel de abertura da Smart.Con, que tratou do tema Futuro da Construção Inteligente em um Mundo 4.0

A grade também contou com a realização de dois painéis principais, que abriam os dias do evento. No dia 6, o  tema proposto foi Futuro da Construção Inteligente em um Mundo 4.0, promovido após a solenidade de abertura e com a participação da engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Abcic e membro do Advisory Board da Smart.Con. Já no dia 7, sessão plenária teve como tema ‘Como tecnologia e inovação apoiam as iniciativas pública e privada para projetos de construção no Brasil’.
“O país vive um cenário diferente, que abre possibilidades para ampliar a produtividade da construção. “É o momento de transformação em que estamos projetando o futuro, mas primeiro precisamos resolver as questões atuais. Para digitalizar, é preciso industrializar e hoje temos muitas barreiras, como a tributação diferenciada para sistemas industrializados, que devem ser sanadas, a fim de implantar ações rápidas e assertivas para ir ao encontro desse movimento de transformação digital”, disse Íria em sua apresentação. “A construção deve aproveitar essa transformação, diferentemente do que ocorreu em situações passadas, quando o setor ficou para trás de outras atividades em termos de tecnologia e produtividade, como as áreas automobilísticas e do agronegócio”, acrescentou.
Segundo Íria, a pandemia impulsionou a digitalização no setor, mas é importante que a cadeia produtiva aproveite esse momento de transformação para ampliar sua produtividade e competitividade e reduzir custos, por meio da industrialização. “A digitalização já tem acontecido em alguns canteiros de obras do país, através do uso de drones, escaneamento de peças, modelagem 3D, uso do Building Modeling Information (BIM)”. 
A seu ver, dois pontos fundamentais devem ser trabalhados pelas empresas: os modelos produtivos e a gestão. “A industrialização tem que começar no projeto, integrando as demais etapas. Com isso, o empreendimento terá ganhos em todas as fases, incluindo o projeto”, explicou. Para ela, essa mudança de modelo produtivo e integração em todas as fases só agrega valor ao projeto.
Sobre o BIM, Íria disse que a modelagem impulsionou a indústria do pré-fabricado de concreto a evoluir mais rapidamente em termos de digitalização para se adaptar à ferramenta e alcançar os benefícios de sua aplicação. “Pode ser que a mudança do modelo produtivo ainda não estivesse acontecendo, mas ao implantar o BIM, a indústria buscou integrar seus equipamentos, projetos, sistemas de ERP, trabalhando com o escaneamento de peças. Ou seja, as empresas entraram em um processo natural de racionalização, com retornos que poderiam não ter sido previstos no planejamento inicial do investimento”, ponderou. 
Em suas avaliações, Íria ressaltou a importância da valorização do capital humano, porque a transformação digital exigirá a criação de outras funções e profissionais com novas qualificações. “Vamos comparar as funções atuais em um canteiro de obras tradicional com as de um canteiro digitalizado. Isso significa que essa capacitação passará pela gestão das empresas. É a construção formal que alavancará a forma para realizar essa inclusão e qualificação de seus profissionais”.
O painel de abertura contou ainda com as avaliações de Rodrigo Navarro, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), Alexandre Angelo Romeira, vice-presidente da I2AI Brasil; e Wilton Catelani, consultor estratégico em BIM. Rafael Rinaldi, gerente de projetos da Messe Muenchen do Brasil, moderou o debate.
Navarro comentou que a indústria de materiais tem se modernizado, investindo para melhorar a produtividade e a competitividade e reduzindo de custos. Ele também ressaltou a importância do trabalho das startups no segmento para contribuir com essa evolução em toda a cadeia produtiva. 
Já Romeira pontuou que a construção civil é uma das engrenagens que mais emprega e movimenta o país, mas é preciso sempre buscar entender o consumidor e aplicar os métodos construtivos e de produção que façam sentido para atender as demandas e ampliara a eficiência. Nesse ponto de vista, a inteligência artificial (IA) pode ser uma ferramenta para alcançar esse objetivo, pois contribui para a compreensão mais apurada dos diversos contextos, colaborando com as tomadas de decisões das construtoras. 
Para Catelani, a jornada de digitalização na indústria da construção tem início com o BIM e para isso os profissionais precisarão estudar as ferramentas. Segundo ele, é importante unir a experiência e o conhecimento daqueles que estão há mais tempo no mercado, com os jovens, que possuem a facilidade de operar com tecnologia. “Precisamos fazer um esforço em conjunto para evoluir. Isso inclui governo federal, entidades, empresas e mercado”. 
Antes da realização do debate, Afonso Mamede, presidente da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração), parceiro institucional do evento, reforçou que o setor da construção passa por forte transformação nos sistemas construtivos, equipamentos, materiais e softwares, que afetam diretamente os costumes, a legislação e o relacionamento com os clientes e com os trabalhadores. “Para apresentar toda a gama de novas soluções e tratar das tendências do futuro do segmento, que estamos abrindo hoje a Smart.Con. Com o mundo globalizado, grandes, médias e pequenas empresas já fazem uso destas tecnologias buscando maior produtividade, qualidade, segurança e sustentabilidade”.
Para Rolf Pickert, diretor geral da Messe Muenchen do Brasil, a proximidade com os diversos players do mercado é importante para que o evento cumpra com sucesso seus principais objetivos: conectar pessoas e gerar negócios. 
A solenidade de abertura teve ainda as apresentações do coronel  Marcello da Costa, Secretário Nacional de Transportes Terrestres, que trouxe um panorama da área de infraestrutura logística no país, ressaltando os esforços do Ministério da Infraestrutura para modernizar os diferentes modais, e de Guilherme de Paula Correa, Coordenador de Inovação Industrial do Ministério de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovações, que falou sobre os programas e atividades da pasta para ampliar o uso de novas tecnologias no país e no setor da construção.