Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 1 - maio de 2014

De olho no Setor

Uso de estruturas pré-fabricadas de concreto em evidência nas obras de infraestrutura viária

Seminário realizado no Brazil Road Summit, durante a Brazil Road Expo 2014, destacou a aplicação do sistema construtivo em rodovias, pontes, viadutos e obras de mobilidade urbana 

O Brazil Road Summit, realizado de 9 a 11 de abril, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, contou com 60 palestras distribuídas em 14 workshops e seminários, que abordaram temas como máquinas e equipamentos, pavimentação, contenção de encostas, drenagem de rodovias e soluções para obras de infraestrutura viária e mobilidade urbana. O programa de conferências realizado em paralelo à Brazil Road Expo 2014, que recebeu 11.042 profissionais e reuniu 250 marcas relacionadas à infraestrutura viária e rodoviária. De acordo com levantamento feito junto a empresas expositores, a perspectiva de geração de negócios a partir de contatos realizados durante a feira é de pelo menos R$ 600 milhões.
Um dos destaques do Brazil Road Summit foi o seminário promovido pela Abcic – Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto e o Ibracon – Instituto Brasileiro do Concreto, no primeiro dia de evento. Com o tema “Projeto, Construção, Sistemas Construtivos e Manutenção de Obras de Infraestrutura Viária e Mobilidade Urbana”, o seminário teve a participação de palestrantes de renome nacional e internacional e a presença de um público de mais de 50 profissionais, engenheiros e executivos ligados à área de construção. 
A primeira palestra ficou a cargo do engenheiro Júlio Timerman, presidente do Ibracon, que tratou do tema O Sistema ABC – Accelerated Bridges Construction. Segundo ele, o sistema, que é baseado no uso de estruturas pré-fabricadas de concreto, se caracteriza pela rapidez conferida às obras. Bastante utilizado nos EUA, ele começa a ser empregado por construtoras brasileiras. “Além de reduzir o tempo de execução da obra, outras vantagens do Sistema ABC são: menor custo, menor impacto no trânsito e ao meio ambiente, melhoria na segurança dos trabalhadores e usuários, além de melhoria na qualidade final e na durabilidade das obras”, afirmou Timerman. 
 O seminário contou também com a palestra Alargamento de Estruturas Existentes, proferida por um convidado internacional, o professor Hugo Corres Peiretti, catedrático de estruturas da Universidade Politécnica de Madri, que detalhou como foi feito o alargamento da Ponte De Los Santos, na Espanha, que foi ampliada de 12 para 24 metros de largura para comportar mais pistas. “Essa obra é um caso extraordinário de engenharia pelos vários desafios enfrentados, pois a ampliação teve de ser feita sem a interrupção do trânsito e com cuidados extras em relação ao alto risco de corrosão em razão da proximidade com o mar”, explicou Corres, que é reconhecido internacionalmente por sua atuação como projetistas de estruturas em diversos países, inclusive no Brasil. Corres proferiu, ainda, mais duas palestras: uma sobre o monitoramento de estruturas existentes e outra sobre tecnologias e tipologias para construção de pontes e viadutos. Ele destacou a possibilidade de aplicação de diferentes sistemas construtivos e ressaltou que as estruturas pré-fabricadas de concreto devem ser sempre consideradas como uma alternativa nos estudos de viabilidade.


Hugo Corres (Fhecor Conocimiento), Julio Timerman (Ibracon), Íria Doniak (Abcic), e Gustavo Rovaris (Cassol) participam da primeira mesa de debates do seminário
Na sequência, o engenheiro Gustavo Rovaris, gerente da Unidade do Rio de Janeiro da Cassol Pré-fabricados, apresentou o case do Complexo Viário do Porto de Itaguaí (RJ), que envolveu diversos desafios para a empresa. O principal deles foi a compatibilização do projeto com o sistema industrializado, uma vez que ele havia sido caracterizado para o método tradicional, a produção e a logística de movimentação interna e externa das vigas de até 64 toneladas, a viabilização em fábrica para a execução de viga com 38 metros e 86 toneladas, utilização do concreto autoadensável para minimizar patologias e o tempo, já que o cronograma estava atrasado. 
 Segundo Rovaris, a obra consistiu na construção de uma ponte ferroviária, uma ponte rodoviária e dois viadutos. O volume total de concreto utilizado na estrutura chegou a 6521,0 m³ e a metragem de estacas centrifugadas empregadas na fundação foi de 10.171,40 metros. “Um dos destaques desse projeto foi a adaptação do concreto protendido passando de um sistema pós-tração para um sistema misto ou de pré-tensão”, destacou o engenheiro. 
Em seguida, o engenheiro de estruturas Fernando Stucchi, professor da Poli/USP e diretor da EGT Engenharia, tratou do tema Viadutos Metroviários Novos – E. Tamanduateí (Consolos Sucessivos), Trensurb (Caixões pré-moldados e Monorail). Entre outros aspectos, Stucchi destacou o papel do pré-moldado nesse tipo de obra, citando exemplos. “No caso da Estação Liberdade da Transurb, em Novo Hamburgo (RS), a obra inteira foi construída com estruturas pré-fabricadas de concreto, permitindo assim que fosse concluída dentro do prazo previsto”, informou o engenheiro, salientando que as vigas foram com sistema de pré-tração. 
O professor Enio Pazini da Universidade Federal de Goiás abordou no seminário o tema Durabilidade de Estruturas de Concreto para Obras de Infraestrutura Viária, com ênfase em pontes e enfatizou a importância da manutenção preventiva e da realização de um bom projeto para melhor execução de uma obra. “Nossa cultura de manutenção não é preventiva. Atuamos mais de forma corretiva sobre os problemas em nossas obras de arte, principalmente em pontes. A avaliação de obras de arte antes que os problemas se tornem visíveis faz como que o custo de intervenção seja o menor possível. Se uma manifestação patológica já está em um grau avançado, os custos de manutenção podem aumentar e, em alguns casos, a decisão pode ser a demolição da ponte”, explicou.
O engenheiro Júlio Calsinski, da Nemetscheck encerrou o evento com a palestra BIM para Obras de Infraestruturas – Casos Reais. Entre outras análises, Calsinski disse acreditar que até 2020 a ferramenta deverá estar em todos os projetos. Adiantou ainda que uma pesquisa realizada na Inglaterra concluiu que o uso do BIM pode gerar economia de 20% a 25% no custo de uma obra. “Um projeto precisa evitar três riscos: a falta de informação, a informação errada e a informação conflitante. O BIM minimiza isso e, por isso, gera economia”, afirmou. O especialista informou também que aqui no Brasil, Santa Catarina foi o primeiro estado a exigir que a tecnologia esteja presente nas públicas até 2018. “No plano federal, o DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte está adotando resolução semelhante”, afirmou.