Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 15 - dezembro de 2018

ABCIC EM AÇÃO

Abcic Networking fomenta o debate sobre novas tecnologias do concreto

Tema central do evento, uso do concreto de ultra alto desempenho está contemplado no Planejamento Estratégico da Abcic

Durante o ano de 2018 a Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic) promoveu o Abcic Networking, encontros na sede da instituição com o objetivo de gerar conhecimento sobre pautas atuais do setor e promover a integração entre profissionais de diferentes elos da indústria de pré-fabricados em concreto. A primeira edição do evento aconteceu em agosto e trouxe a palestra de Ana Maria Castelo, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), sobre aspectos do mercado, e a apresentação de Holger Schmidt, gerente de produtos da MC-Bauchemie, que abordou as premissas para a escolha de aditivos para concreto. O tema também já havia estado presente no Seminário Regional da Abcic, realizado no primeiro semestre na capital catarinense, tendo sido apresentado pelo especialista no tema, o professor Wellington Repette, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Cerca de um mês depois, no dia 25 de setembro, aconteceu a segunda edição do Abcic Networking, quando foi discutido o uso de Concreto de Ultra Alto Desempenho e experiências da indústria europeia com o novo material, por meio de apresentação do CEO da Ductal para as Américas, Dominique Corvez. A pauta sobre novas tecnologias do concreto, em evidência durante o evento, foi estabelecida previamente no Planejamento Estratégico da Abcic, em 2015.       
Durante a abertura do segundo Abcic Networking, a presidente executiva da Abcic, Íria Doniak, falou sobre o planejamento estratégico da associação, definido em 2015 e que já indicava o UHPC como um dos pontos pelo qual passaria a evolução do setor de pré-fabricados de concreto. “O nosso planejamento estratégico definiu pontos decisivos para o setor, como a Indústria 4.0, o conceito de Smart Cities e formas mais inteligentes de produzir concreto, pois entendemos o desenvolvimento tecnológico do concreto como associado diretamente à indústria da pré-fabricação", afirmou.

Palestra do engenheiro Dominique Corvez, diretor da Ductal nas Américas, para integrantes da cadeia produtiva do pré-moldado

Na ocasião, Íria explicou que o planejamento estratégico da Abcic foi elaborado em dois quadros. O primeiro definiu fontes de crescimento do setor, sendo elas: as novas funcionalidades do sistema industrializado em concreto, como em obras de pequeno porte e edifícios residenciais; a disseminação de soluções mistas; a consolidação de aplicações usuais do sistema - como galpões industriais e shopping centers – e o incentivo à formulação de normas, sendo a ABNT NBR 9062 Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado um dos principais resultados alcançados por esse tópico do planejamento estratégico.  
O segundo quadro, por sua vez, delineou caminhos para a evolução do setor, sendo o desenvolvimento de novas tecnologias de fabricação, montagem, projeto e gestão os pontos essenciais. Nesse sentido, destacam-se a robotização de processos, técnicas para edifícios altos e de conectores (elementos de ligação entre elementos) para montagem rápida, a prática de paralelismos de atividades da construção e as diferentes versões do BIM, decisivo não apenas para fabricantes e fornecedores, mas também para os clientes, que passam a ter um maior entendimento do projeto. Esse segmento do planejamento estratégico da Abcic também apontou o UHPC como indispensável para o futuro do sistema industrializado em concreto. “Entendemos já em 2015, em termos de tecnologia de concreto, que o UHPC seria um dos pontos a ser desenvolvido para buscar competitividade - sabemos que existem várias vantagens com esse material, mas reduzir o peso de componentes associado à amplitude de possibilidades arquitetônicas é muito relevante, inclusive em termos de competitividade com outros sistemas construtivos", explicou Íria.
Para dar continuidade ao planejamento proposto em 2015, a Abcic convidou Dominique Corvez, mestre em engenharia civil pela Universidade da Califórnia e ceo da Ductal nas Américas, para apresentar durante o evento informações atuais sobre aplicação, características e benefícios do UHPC.  
Segundo Corvez, o material é perfeito em ambientes agressivos e situações desafiadoras, como usinas nucleares e pontes esbeltas. Isso é possível graças aos ótimos níveis de ductilidade e plasticidade do UHPC, assim como altíssima durabilidade - de 100 a 1000 vezes mais durável que o concreto convencional -, baixos índices de porosidade e de penetração de cloreto. Outros exemplos de aplicação do UHPC em países europeus são projetos arquitetônicos altamente personalizados, onde muitas vezes são utilizados painéis pré-fabricados não idênticos e vazados. Já nos Estados Unidos e Canadá, Dominique Corvez destacou o papel do UHPC no reparo de pontes com deficiências estruturais, situação em que o material é usado para ligar componentes pré-moldados. Acompanhando o uso crescente do UHPC em países do hemisfério norte, Corvez comentou a importância do desenvolvimento regular de normas, como a elaborada no Canadá em 2018 e as programadas para o ano que vem em países como Estados Unidos, Alemanha e China.    
Sobre as tendências do UHPC, Corvez acredita em um futuro otimista. "O mercado global de UHPC é avaliado atualmente em 1,9 bilhões de dólares, com espaço para crescimento. O material deve conquistar ainda mais espaço na Europa ocidental, mas também em países como Malásia e Brasil. O caso brasileiro, em particular, é promissor devido ao uso do UHPC em torres de energia eólica, segmento em que o país é líder". 
Na rodada de perguntas que sucedeu à palestra, o representante da Ductal esclareceu pontos sugeridos por convidados e associados da Abcic, explicando que apesar de possuir um elevado custo por metro cúbico, as características do UHPC proporcionam economias em obra, pois o material mais resistente diminui a quantidade de componentes, além de ser mais compatível com outras soluções. Corvez também explicou que o UHPC possui ótimo desempenho em situações de incêndio, devido aos tipos de fibras que incorpora.