Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 16 - abril de 2019

ACONTECE NO MUNDO

Abcic promove 7ª Missão Técnica no Japão e na Alemanha

Confira relato da engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Abcic, sobre essa importante atividade da associação

Realizamos a 7ª Missão Técnica Internacional da Abcic entre os dias 29 de março e 13 de abril, com a participação de sete empresas de estruturas pré-fabricadas de concreto e duas empresas fornecedoras do setor, vindas de três estados, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. 
A programação no Japão vinha sendo desenvolvida há algum tempo, porém nos últimos dois anos não havia sido possível colocá-la em prática devido à crise em nosso país que fez com que os empresários estivessem receosos em se afastar. No entanto, apesar de ainda estarmos numa época difícil, a coincidência das etapas do cronograma de execução das obras visitadas no Japão, com nossas áreas de interesse, uma delas a execução das ligações com emendas por luvas (do tipo “splice sleeves”), e os aspectos não somente de produção dos elementos estruturais, mas também de logística e montagem, com o período da feira na Alemanha (bauma) em Munique que, por ser a principal feira para o nosso setor vem sendo acompanhada por nós há algum tempo – tivemos missões em 2013, 2016 e agora em 2019 –, fez com que acelerássemos o passo e culminássemos em mais esta importante ação estratégica voltada ao monitoramento das tendências internacionais, conforme preconiza o nosso estatuto e  tema prioritário na agenda proposta pelo nosso conselho.
Fazendo uma retrospectiva, nossas missões já englobaram países europeus como Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Holanda, Inglaterra e Itália, onde a similaridade com a pré-fabricação em concreto no Brasil é maior, mas também os Estados Unidos, que possui um desenvolvimento importante, principalmente no que tange à disseminação da cultura deste sistema construtivo baseada principalmente em qualidade e certificação, até Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi e Dubai e países orientais, como China e Japão, que muito tem crescido em sistemas industrializados motivados pela alta densidade populacional e novas necessidades de habitação e mobilidade urbana. 
Percebemos que hoje temos uma amostra importante da cultura mundial no sistema que representamos. Ao mesmo tempo em que a programação dessas missões amplia a visão de nossos empresários para novas oportunidades de avanço em seus processos de produção e montagem das estruturas, elas também apresentam possibilidades de ampliar o desenvolvimento de produtos, através de diferentes aplicações ou possibilidades de uso do sistema construtivo. Em paralelo, isso forma um binômio com a representação da Abcic em entidades internacionais como a fib (International Federation for Structural Concrete), que nos possibilita acesso a aspectos técnicos e científicos, a fim de dar o devido suporte para que mantenhamos a nossa normalização “up to date” para o desenvolvimento da indústria. 
Sem dúvida é uma atividade fundamental que incentiva o desenvolvimento tecnológico do setor e amplia a visão das empresas associadas, sem contar as ações simples de implementação de melhorias em seus processos relatadas inúmeras vezes pelos empresários que costumam acompanhar esse trabalho que, por estarem presente muitas vezes, captam pequenos detalhes que implementados no retorno ao Brasil lhes trazem maior produtividade, eliminam desperdícios culminando em maior competitividade. Apesar do investimento direto na missão ser do grupo que adere ao programa, o benefício se dá no coletivo em prol de todo o setor e no individual para as empresas participantes. Já para os fornecedores que participam, além de ser uma grande oportunidade de intenso networking, é o momento também de estar atento para onde o setor pretende se mover e alinhar o seu desenvolvimento para sua área de atuação, dando o devido suporte e alinhando o seu desenvolvimento de produto. 
Em especial essa missão consistiu em três importantes etapas, a primeira delas o Japão. Foi a primeira vez que todos visitaram o país e ficaram maravilhados com a cultura milenar que excede todas as nossas expectativas, transcende uma visita técnica e mexe com nosso interior, como pessoa, quando nos deparamos com tantos hábitos diferenciados, com ênfase na gratidão, na humildade de servir, na organização e tantos outros aspectos. A indiscutível beleza que gera preocupação com as considerações de fenômenos naturais, nas construções e com a segurança da população. A similaridade de Tóquio com as mesmas preocupações das grandes cidades como São Paulo, cidades que não dormem e precisam cada vez mais de forma inteligente atender as demandas de grande densidade demográfica num contexto de tantas transformações como maior mobilidade, redução da poluição e maior uso de energia numa era essencialmente digital. Isso sem dúvida levou o nosso grupo ao outro lado do mundo refletir num primeiro momento no individual e no coletivo acerca de aspectos que são conceituais e fundamentais, pois sem eles não é possível conseguir acessar as demais áreas de interesse de um programa como esse. Há que se estar aberto e sensível a todos esses contextos. Não se cresce sem cultura, conhecimento, integração, gestão, inovação e tecnologia. Há que se ter uma profundidade necessária para tanto, o que nos habilita a ter relacionamentos e antes de mais nada a construção de um mundo melhor em pauta e todo o resto, como crescimento, competividade, e resultados virão seguramente na sequência. Observando o nosso grupo, seus interesses e os contextos, percebi claramente que não é uma questão de poesia, mas fundamentalmente de visão e oportunidade.   
A programação constituiu em quatro visitas e um pequeno workshop de integração dos dois países, toda ela apoiada pela Sumitomo Mitsui, uma das principais construtoras do Japão que atua nos segmentos imobiliários e de infraestrutura e possui quatro plantas de pré-fabricação em concreto, o que não é comum nesse tipo de empresa no país. A origem dessa companhia está na fusão das empresas Sumitomo e Mitsui, sendo que esta última já possuía desde os anos 60 uma empresa de pré-fabricados, o que motivou o desenvolvimento de novos projetos utilizando o sistema construtivo. Também a implantação de outras 3 plantas de produção que hoje atendem a construtora e o mercado. 
A primeira visita foi realizada numa obra de infraestrutura, tendo como fundo a incrível vista do Monte Fuji como um bônus excepcional. Trata-se de uma obra que possui as maiores peças sendo pré-moldadas numa verdadeira indústria de canteiro, e as menores, pré-fabricadas, até por serem mais complexas literalmente vindas de uma das indústrias do grupo. A segunda visita foi no canteiro de obras, na 31ª planta de um edifício que adota um sistema patenteado pela construtora, o SQRIM, 100% em pré-fabricados de concreto, todas as peças oriundas da indústria.