Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 17 - julho de 2019

INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA

Montagem é vital para a execução de obras em pré-fabricado de concreto

Cadeia da construção industrializada de concreto desenvolve estratégias e ferramentas que facilitam e modernizam os procedimentos de transporte e montagem das estruturas usadas em projetos em todo o país

Ponte sobre Rio Anhumas - Campinas/SP
Cliente: Rota das Bandeiras
Tipo de estruturas utilizadas: vigas longarinas, pré-lajes, placas de fachada, placas de passeio
Responsável pelo pré-fabricado: Gustavo Andrade
Responsável pelo projeto estrutural: Cláudio Watanabe
Volume de concreto pré-fabricado: 834 m3
Fornecedor das estruturas pré-fabricadas de concreto: Tranenge Construções
Obra executada de janeiro a outubro de 2017

Com o aumento da demanda por pré-fabricado de concreto no Brasil e a execução de obras que exigem estruturas mais complexas e cronogramas por vezes ousados, a etapa de montagem vem exigindo uma qualificação, um planejamento e técnica cada vez mais especializados e assertivos por parte das indústrias. Prova disso é que o Prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricados de Concreto vem recebendo projetos, cujo um dos destaques tem sido os desafios e as soluções de montagem de obras em diversos segmentos: infraestrutura, industrial, comercial, logístico e residencial.
Para o professor Mounir Khalil El Debs, um entusiasta da construção industrializada de concreto, um dos pioneiros no estímulo e no estudo das estruturas pré-fabricadas de concreto no Brasil e autor do livro Concreto pré-moldado: fundamentos e aplicações, “esta etapa é fundamental em função da montagem ter grande importância na construção industrializada de concreto pré-moldado. Incluí na atual edição o capítulo Planejamento e Segurança, Equipamentos, Dispositivos Auxiliares e Procedimentos Gerais, que detalha informações básicas sobre a fase de transporte e montagem das estruturas nas obras”. 
Ao enfatizar a questão da segurança na montagem de grandes peças estruturais de pré-fabricado de concreto, o professor Mounir aborda um aspecto que está sempre presente nas estratégias operacionais das principais fabricantes do setor, assim como no radar de toda a cadeia da construção industrializada de concreto. Um caso emblemático foi o da execução da montagem das estruturas pré-fabricadas de um viaduto construído no quilômetro 91 da Rodovia Anhanguera, em Campinas, interior de São Paulo. Por se tratar de obra encravada numa região que concentra grande parte do fluxo de veículos do país, com predomínio do tráfego de caminhões em virtude da elevada concentração industrial na região, sem contar a proximidade com o Aeroporto Internacional de Viracopos, foram enormes os desafios de logística para transporte e montagem de vigas longarinas que mediam 40 metros e pesavam até 78 toneladas. 
“Enfrentamos ainda um desafio extra nessa obra, pois a movimentação dos guindastes, necessários para montar as peças, poderiam interferir numa linha de transmissão de energia de alta tensão que atende toda a rede industrial de Campinas, incluindo a alimentação energética do Aeroporto de Viracopos. Essa linha não poderia ser desligada por um período superior a 6 horas e somente a partir das 22 horas”, explica o engenheiro Thiago Ayarroyo de Oliveira, gerente da obra, cuja parte das estruturas pré-fabricadas foi executada pela Tranenge Construções. 
A questão do prazo de apenas seis horas em que se poderia trabalhar no canteiro do viaduto não era o único problema. “O tempo era suficiente, mas a montagem envolveu outros desafios, pois no local havia, além da rodovia, algumas vias marginais, redes de gás, de fibra ótica, drenagem, entre outros”, afirma Oliveira. Diante desse cenário, foi definido pelos técnicos que as vigas e todas as peças menores fossem pré-fabricadas na unidade de Rio Claro e transportadas para a obra apenas no dia da montagem, uma vez que não havia espaço para estacionar as carretas a não ser com o fechamento das vias marginais. “Assim, para minimizar os impactos nas vias, os horários de carga e descarga foram acertados em conjunto com a concessionária da rodovia”, relembra.