Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 16 - abril de 2019

PONTO DE VISTA

Qualidade na execução de soluções pré-fabricadas e protendidas em obras de infraestrutura rodoviária impulsiona o desenvolvimento deste segmento

William Nickas

O Instituto Americano de Concreto Pré-Moldado e  Protendido (PCI) trabalha fortemente, desde 1954, para o desenvolvimento e disseminação da construção industrializada de concreto nos Estados Unidos, por meio da condução de projetos e pesquisas acadêmicas e em laboratórios, divulgando estes resultados, da certificação de fábricas e da realização de eventos, palestras e cursos no segmento.
O diretor de Sistemas de Transporte do Instituto, William Nickas, que é também o editor-chefe da revista Aspire Bridge, com publicação trimestral, conversou com a Industrializar em Concreto sobre o mercado americano e mundial da pré-fabricação em concreto, ressaltando a importância da certificação para a garantia da qualidade das estruturas e da evolução tecnológica no segmento do concreto para o desenvolvimento do setor. O engenheiro americano esteve no Brasil, no final do ano passado, para participar da reunião do Grupo de Trabalho 6.5 da Federação Internacional do Concreto (fib) e do Seminário Pontes Pré-moldadas de Concreto – Tecnologia de Projetos e Execução – Novas Tendência de Materiais – CRF e UHPC (CUAD), promovido pela Abcic.
Na sequência, confira os principais pontos abordados por ele:
 

 

Qual sua avaliação sobre a pré-fabricação em concreto nos Estados Unidos e no mundo?
Em 2018, nossas 250 fábricas, dedicadas ao fornecimento de diferentes segmentos da construção civil, obtiveram cerca de U$ 5 bilhões em vendas. Essas indústrias representam aproximadamente 20% do cimento utilizado na produção total de concreto dos Estados Unidos; portanto, ainda há um potencial expressivo para crescimento. 
Quanto ao mercado de pontes, nos últimos dez anos, 51.370 das 71.788 pontes construídas nos Estados Unidos foram executadas com concreto. Dessas pontes de concreto, 29.188 foram executadas com concreto protendido. Parte do concreto protendido recebeu protensão por pré-tração em elementos produzidos na indústria e foi pós-tensionada no canteiro de obras. O mercado de pontes registra um crescimento da demanda por grandes vãos. Isso mostra como a tecnologia vem mudando o número de pontes de concreto e aumentando o tamanho delas. Tínhamos vãos de 100 a 150 pés (aproximadamente 30 a 45 metros) e depois aumentamos a margem para 150 a 200 pés (vãos de 45 a 60 metros aproximadamente). Nosso próximo objetivo é construir vãos de 300 pés (vãos a partir de 90 metros) usando o Concreto de Ultra Alto Desempenho (CUAD/UHPC) com o propósito de captar mais parcelas do mercado das soluções em aço.
Para começar, vamos analisar o período de 1977 até 2006 como base para a análise de tendências recentes. Durante esse período de trinta anos, dados do Inventário Nacional de Pontes (NBI) indicam que 476.417 foram construídas e que vinte e cinco de cinquenta e dois estados (considerando também o Distrito de Columbia e Porto Rico) usaram algum tipo de concreto (armado ou protendido) na superestrutura de 65% das pontes construídas no período. Ao contrário, durante a década mais recente para a qual dispomos de dados, o período entre 2007 e 2016, 123.158 pontes foram construídas, 31 estados atingiram a marca de 65% e 35 estados aumentaram o uso de tipos de superestrutura em concreto.
De modo geral, a parcela de mercado para todos os tipos de superestrutura de concreto cresceu de 68,7% no período base para 71,6% na última década (um aumento de 2,9%).     
Entre 2007 e 2016, trinta e dois estados construíram mais de 50% de suas pontes com vão longo utilizando o concreto protendido e vinte e uma regiões registraram um aumento maior que 5% durante a última década no uso de concreto protendido. Isso representa aumento de 5,8% no uso de concreto protendido durante a última década em comparação com as três décadas anteriores. Eu visitei outros países e diria que os Emirados Árabes são um ótimo exemplo das porcentagens mais altas de estruturas de concreto. Elas são geralmente projetadas como concreto “in situ”, mas os pré-fabricadores tem trabalhado no desenvolvimento da aplicação de seus sistemas e adaptado os projetos. Esta mesma situação ocorre em outros países, Estados Unidos e Canadá e para exemplificar podemos citar a Espanha como referência na Europa.