Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrializar em Concreto 38 - setembro de 2026

ACONTECE NO MUNDO

Engenharia do concreto acelera transformação rumo a 2050 com IA, industrialização e descarbonização

Engenheira Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Abcic, analisa os principais avanços apresentados no 7th fib Congress, em Lisboa (Portugal), e afirma que o futuro da construção passa pelo equilíbrio entre sustentabilidade, resiliência, digitalização e novos materiais. Ela também foi keynote speaker no Italian Concrete Conference (ICC 2026), realizada na cidade de Bergamo (Itália)

A engenharia do concreto estrutural vive uma das maiores transformações de sua história. As mudanças climáticas, a necessidade de reduzir as emissões de carbono, a escassez mundial de mão de obra qualificada e a crescente demanda por infraestrutura resiliente estão impulsionando a cadeia da construção a incorporar, em ritmo acelerado, novas tecnologias, materiais avançados e ferramentas digitais capazes de redefinir a forma como as estruturas são concebidas, construídas, monitoradas e mantidas ao longo de seu ciclo de vida.

Esse cenário esteve no centro dos debates do 7th fib Congress, realizado entre os dias 15 e 19 de junho, em Lisboa, Portugal, sob o tema "Concreto Estrutural 2050: Rumo à Neutralidade de Carbono, Design com IA e Construção Robótica”. O evento, organizado pelo Grupo Português de Betão Estrutural (GPBE) e pelo Instituto Superior Técnico (IST), contou com oito keynote speakers que abordaram temas importantes no concreto estrutural contemporâneo, incluindo projeto conceitual, robustez de estruturas pré-fabricadas, reforço sísmico de edifícios existentes, capacidade residual de armaduras corroídas, impressão 3D, conservação do patrimônio em concreto e aplicações baseadas em IA, além de visitas técnicas, sessões especiais e competições estudantis. Os temas foram distribuídos em 11 sessões paralelas diárias, além das palestras magnas no início de cada período. Contou com 1200 congressistas de 65 países. O Brasil esteve presente com 40 participantes e apresentou trabalhos relevantes.

Para a engenheira Íria Doniak, presidente da International Federation for Structural Concrete (fib) e anfitriã do evento juntamente com o presidente do GPBE, Eduardo Júlio, o congresso evidenciou que a transformação da construção civil está em curso e que seus principais vetores estão bem definidos. "Os debates evidenciaram que os grandes vetores da engenharia do concreto são a industrialização, a digitalização, os novos materiais e a entrada de novos agentes e de novas tecnologias. Todos esses temas são permeados por dois conceitos fundamentais: descarbonização e resiliência”, destaca. 

Segundo ela, os dois últimos aspectos deixam de ser objetivos independentes para se tornarem complementares. "Vivemos um momento em que precisamos construir estruturas mais robustas para enfrentar eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que trabalhamos para reduzir as emissões de carbono. A solução está no avanço tecnológico. Sustentabilidade e resiliência não podem ser vistas como conceitos antagônicos, e sim complementares, em que o equilíbrio deve prevalecer."

Outro tema relevante é a idade das infraestruturas, pois a sustentabilidade envolve também a manutenção adequada e decisões assertivas sobre o que já está construído, não apenas sobre as novas estruturas.

Esteve presente na Abertura do Congresso o Ministro de Infraestrutura e Habitação de Portugal, que destacou a importância da união global para enfrentar os grandes desafios atuais e futuros.

Felipe Cassol, ex-presidente do Conselho Estratégico da Abcic, fez uma apresentação sobre a entidade durante o Congresso. O professor Eduardo Júlio, que já esteve no Brasil a convite da Abcic, foi presidente do comitê organizador. 

Além do congresso em Lisboa, Íria participou da 6ª edição do Italian Concrete Conference (ICC), em Bergamo, Itália, cuja organização foi da Associazione Italiana Calcestruzzo Armato e Precompresso (AICAP) e do Collegio dei Tecnici della Industrializzazione Edilizia (CTE), onde apresentou a palestra magna "Presente e futuro da engenharia de estruturas de concreto e a perspectiva da fib", que tratou do momento de transformação vivido pela engenharia estrutural sob a perspectiva da federação. Para ela, a convergência entre os dois encontros reforçou a ideia de que o setor caminha rumo a uma visão mais abrangente do ciclo de vida das estruturas. 

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