ACONTECE NO MUNDO
Engenheira Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Abcic, analisa os principais avanços apresentados no 7th fib Congress, em Lisboa (Portugal), e afirma que o futuro da construção passa pelo equilíbrio entre sustentabilidade, resiliência, digitalização e novos materiais. Ela também foi keynote speaker no Italian Concrete Conference (ICC 2026), realizada na cidade de Bergamo (Itália)
Além do congresso em Lisboa, Íria participou da 6ª edição do Italian Concrete Conference (ICC), em Bergamo, Itália, cuja organização foi da Associazione Italiana Calcestruzzo Armato e Precompresso (AICAP) e do Collegio dei Tecnici della Industrializzazione Edilizia (CTE), onde apresentou a palestra magna "Presente e futuro da engenharia de estruturas de concreto e a perspectiva da fib", que tratou do momento de transformação vivido pela engenharia estrutural sob a perspectiva da federação. Para ela, a convergência entre os dois encontros reforçou a ideia de que o setor caminha rumo a uma visão mais abrangente do ciclo de vida das estruturas.
"Hoje, não basta pensar apenas na construção. É preciso considerar desde a concepção do projeto até a reutilização, a reciclagem ou a demolição da estrutura, incluindo manutenção, monitoramento, circularidade e adaptação das estruturas existentes”, afirma Íria, que participou de um importante encontro com o presidente da American Concrete Institute (ACI), Scott Anderson, em uma mesa-redonda "O cenário global: presente e futuro", coordenada por Franco Angotti, presidente da AICAP e Enrico Nusiner, presidente do CTE.
Industrialização ganha protagonismo na agenda da sustentabilidade
Entre todas as tendências apresentadas durante o fib Congress, a industrialização da construção foi apontada como uma das estratégias mais eficazes para reduzir os impactos ambientais sem comprometer o desempenho estrutural.
De acordo com Íria, produzir estruturas mais eficientes, utilizando menor quantidade de material, representa um dos maiores avanços da engenharia contemporânea. "Industrializar significa utilizar menos concreto, menos aço e menos recursos naturais para entregar estruturas com desempenho superior. Essa é uma das principais contribuições para a descarbonização."
.jpg)
Ela observa, porém, que essa mudança ainda enfrenta barreiras culturais, especialmente no mercado brasileiro. "No Brasil, ainda existe uma cultura muito voltada ao menor preço imediato. Precisamos migrar para uma visão baseada no custo-benefício ao longo de toda a vida útil da estrutura”, avalia Íria, que considera que o país vem avançando de forma consistente nesta área.
“A pauta da escassez de mão de obra, de caráter global, tornou a industrialização uma estratégia relevante, associada a todos os outros benefícios. Além disso, o Brasil possui uma engenharia extremamente sólida. Somos o único país da América Latina com normalização própria para estruturas pré-fabricadas e estamos avançando em novos documentos técnicos, como a futura norma brasileira para projeto com UHPC”, explica Íria.

Ela destaca ainda que pesquisas envolvendo geopolímeros, concretos de ultra-alto desempenho (UHPC), reforços não metálicos e novos compósitos colocam o Brasil em sintonia com as principais linhas de pesquisa internacionais.
Na sessão especial, no Congresso em Lisboa, dedicada à pré-fabricação em concreto, coordenada pela Comissão 6 de Pré-fabricados, uma das ênfases esteve relacionada à implementação das declarações ambientais de produto.