ACONTECE NO MUNDO
Engenheira Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Abcic, analisa os principais avanços apresentados no 7th fib Congress, em Lisboa (Portugal), e afirma que o futuro da construção passa pelo equilíbrio entre sustentabilidade, resiliência, digitalização e novos materiais. Ela também foi keynote speaker no Italian Concrete Conference (ICC 2026), realizada na cidade de Bergamo (Itália)
Pier Luigi Nervi, engenheiro civil, arquiteto e construtor apelidado de “o deus italiano do concreto do século XX”, explorou a pré-fabricação e criou estruturas brilhantes, embora a beleza não tenha sido o seu objetivo, mas sim a consequência da combinação da tecnologia com a forma, a função e a viabilidade, tanto estrutural quanto econômica. Nascido em 1891, iniciou sua carreira em 1930 e costuma dizer que “A beleza não vem de efeitos decorativos, mas da coerência estrutural. A beleza e a perfeição técnica são inseparáveis.”
Posicionamento sobre o Brasil
Na avaliação de Íria Doniak, o Brasil acompanha as principais tendências internacionais da engenharia do concreto, embora a velocidade de adoção ainda dependa de fatores estruturantes. Ela aponta que os maiores obstáculos não estão na capacidade técnica da engenharia nacional, mas em questões ligadas à contratação de projetos, burocracia, legislações distintas entre municípios e aspectos culturais.
"Nosso problema não é tecnologia. Temos uma engenharia de excelente qualidade e uma academia extremamente ativa. Precisamos superar paradigmas relacionados à forma de contratação de projetos e obras, tanto no âmbito público quanto no privado, e romper barreiras culturais, passando a analisar não apenas o custo imediato, mas também o custo-benefício das soluções a serem adotadas ao longo da vida útil do empreendimento. Precisa se enxergar como um todo, ter visão sistêmica”, pondera Íria.
Entre as tendências que deverão ganhar força nos próximos anos no mercado brasileiro estão a ampliação da industrialização da construção, o uso de concretos de alto desempenho e de baixa pegada de carbono, sensores para monitoramento estrutural, BIM, Inteligência Artificial aplicada ao projeto estrutural e à manutenção preditiva.
Para a presidente da fib, a construção do futuro dependerá menos da adoção isolada de tecnologias e mais da capacidade de integrar conhecimento técnico, inovação e colaboração entre todos os agentes da cadeia produtiva.
"O futuro da engenharia do concreto não será definido apenas por novos materiais ou ferramentas digitais. Ele dependerá da capacidade de equilibrar inovação, sustentabilidade, resiliência e qualidade em todas as etapas do ciclo de vida das estruturas”, finaliza.
O lado humano e a relevância das pessoas
Outros aspectos relevantes do congresso em Lisboa e da Conferência na Itália foram as homenagens e as premiações. O fib -2026 AOS Awards for Outstanding Concrete Structures, do qual Íria fez parte do júri, foi apresentado durante o Gala Dinner, nas categorias de edificações e infraestrutura. E, na abertura do Congresso, são destacados os fib Fellows 2026, membros honorários, a Medalha de Mérito e, o que ocorre a cada quatro anos, o Prêmio Destaque, que é a Medalha Freyssinet. “Reconhecer o que fazemos acontecer, o trabalho voluntário e a dedicação dos protagonistas é dar valor à engenharia do concreto, não somente às obras, mas também quem as realiza”
A sessão especial das mulheres na Engenharia do Concreto foi outro momento marcante e um fórum de apresentação do desenvolvimento tecnológico. “Desde que assumi a fib, a valorização da mulher atuando em complementariedade aos homens com diferentes habilidades tem sido a minha bandeira. Não é uma questão de competir, mas de demonstrar o nosso valor. A sessão especial foi um marco desta valorização, pois as mulheres estiveram presentes em todos os demais contextos e sessões do evento”.
A presença jovem foi outro aspecto que mereceu destaque, em especial a competição entre estudantes na concepção, no projeto e na impressão 3D de um elemento estrutural de base de cimento. “Os jovens são o futuro da engenharia e de nossas organizações. Momentos como estes são muito relevantes”, finaliza Íria.