ACONTECE NO MUNDO
Engenheira Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Abcic, analisa os principais avanços apresentados no 7th fib Congress, em Lisboa (Portugal), e afirma que o futuro da construção passa pelo equilíbrio entre sustentabilidade, resiliência, digitalização e novos materiais. Ela também foi keynote speaker no Italian Concrete Conference (ICC 2026), realizada na cidade de Bergamo (Itália)
Visitas técnicas a obras emblemáticas
As visitas técnicas realizadas durante o congresso permitiram observar, na prática, muitas das tecnologias discutidas nas palestras. Entre elas, o Phoenix Building combina grandes vãos estruturais superiores a 45 metros, uso intensivo de protensão e fachadas leves pré-fabricadas em UHPC integradas à estrutura principal, bem como outros elementos pré-fabricados em conjunto com a parte convencional, mas com alto índice de racionalização.

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Já a Ponte Vasco da Gama, em Lisboa — uma das maiores da Europa, inaugurada em 1998, com aproximadamente 17,2 quilômetros de extensão — permanece como referência mundial em engenharia estrutural. Trata-se de uma solução atirantada combinada com outros sistemas em distintos trechos, construída sobre o estuário do rio Tejo. A obra enfrentou condições extremamente desafiadoras, como solos de baixa capacidade resistente, ambiente marinho agressivo e elevada exigência de desempenho frente a ventos, marés e ações sísmicas.
"Para superar essas condições, foram adotados fundações profundas, concreto de alto desempenho, elementos pré-fabricados e métodos construtivos que reduziram o impacto ambiental e aumentaram a eficiência da execução. A ponte também conta com sistemas de monitoramento estrutural para acompanhar seu desempenho ao longo de sua vida útil. A obra tornou-se uma referência em engenharia ao aliar soluções inovadoras, durabilidade, segurança e sustentabilidade, demonstrando como tecnologias construtivas e de monitoramento podem garantir a eficiência e a longevidade de grandes estruturas”, destaca Íria.
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Outro momento marcante foi a visita ao museu dedicado ao engenheiro português Edgar Cardoso, responsável por mais de 500 pontes, no Instituto Superior Técnico. "Conhecer a história também faz parte da inovação. Pensar em engenharia não é apenas cálculos ou novas tecnologias; é entender o que fizeram os antecessores. Não conhecer os princípios da inovação implica, muitas vezes, em decisões equivocadas”, ressalta a presidente executiva da Abcic.
Na Itália, antes do evento, a engenheira passou dois dias na Universidade Politécnica de Milão, com o Professor Marco di Prisco, onde teve a oportunidade de conhecer o laboratório Pier Luigi Nervi, os laboratórios dedicados a novos materiais e tecnologias, em especial CRF e UHPC, objeto das pesquisas ali conduzidas, e uma sessão especial com a apresentação dos trabalhos de PhD em curso com os pesquisadores.
Pier Luigi Nervi, engenheiro civil, arquiteto e construtor apelidado de “o deus italiano do concreto do século XX”, explorou a pré-fabricação e criou estruturas brilhantes, embora a beleza não tenha sido o seu objetivo, mas sim a consequência da combinação da tecnologia com a forma, a função e a viabilidade, tanto estrutural quanto econômica. Nascido em 1891, iniciou sua carreira em 1930 e costuma dizer que “A beleza não vem de efeitos decorativos, mas da coerência estrutural. A beleza e a perfeição técnica são inseparáveis.”