PONTO DE VISTA
A industrialização vem crescendo de forma expressiva no país: a que o Sr. atribui esse crescimento?
A escassez de mão de obra é um problema crônico que deve se agravar nos próximos anos, e a construção civil está sendo fortemente impactada pela dificuldade em atrair e reter novos colaboradores, devido à sua baixa atratividade para os jovens que buscam alternativas de emprego mais tecnológicas e menos físicas. Na maioria dos canteiros de obras, o processo construtivo ainda é artesanal, o que implica muitos trabalhadores expostos a intempéries climáticas, a situações de risco e a elevado esforço físico. Os custos indiretos incidentes sobre a mão de obra também aumentaram consideravelmente e, mesmo para empresas que trabalham em conformidade com e atendem rigorosamente toda a legislação, há sempre o risco de ter que responder por alguma demanda trabalhista.
As exigências de qualidade e desempenho estão cada vez mais elevadas e estão embasadas em normas e manuais de procedimentos que devem ser cumpridos em prazos cada vez menores para a execução dos empreendimentos.
A única alternativa é a industrialização das construções, a exemplo do que já ocorre nos países mais desenvolvidos.
Além disso, os compromissos ambientais firmados globalmente, com o objetivo de atingir a neutralidade de carbono, estão gerando grande pressão na construção civil. Também neste contexto, a industrialização pode colaborar ao empregar tecnologias mais avançadas, ao promover maior controle de qualidade, ao reduzir resíduos e ao possibilitar a desmaterialização das construções.
Um dos principais pleitos defendidos pelas associações de sistemas construtivos industrializados era a isonomia tributária em relação ao sistema convencional. Com a Reforma Tributária, é possível alcançar esse objetivo? Em sua avaliação, será um estímulo adicional à adoção de sistemas construtivos industrializados?
Sim, temos a expectativa de que a isonomia tributária entre as soluções industrializadas e as construções convencionais realizadas nos canteiros de obra, propiciada pela Reforma Tributária, será um estímulo à industrialização. Taxar os elementos pré-fabricados de concreto com 12% de ICMS, enquanto incide somente 5% de ISS sobre elementos similares moldados “in loco” ou pré-moldados dentro dos canteiros de obras onde serão instalados, que demandam maior quantidade de mão de obra e dificilmente terão o mesmo padrão de qualidade, é um grande equívoco que será corrigido.
Com o mercado em expansão, novas indústrias de pré-fabricado de concreto estão surgindo. Quais cuidados devem ser adotados na contratação de uma estrutura ou fachada pré-fabricada? A industrialização tem, entre suas características, atividades de logística e a própria montagem, que requerem muitos cuidados, em especial quanto à segurança. Como mitigar e evitar acidentes?
A maioria das empresas de construção pré-fabricada de concreto está com bom volume de produção no momento, em contraste com a década passada, quando houve muita ociosidade. Acreditamos que esta demanda deverá se manter nos próximos anos, se o atual ritmo de crescimento moderado da economia do país também se mantiver.
A demanda gerará oportunidades que certamente resultarão em novas empresas para atendê-la. Prevemos que, num prazo de 10 anos, o número de empresas de pré-fabricados de concreto no Brasil deverá dobrar. Mas também está aumentando a complexidade dos novos projetos e, por consequência, teremos obras mais desafiadoras, nas quais os investidores pressionarão por prazos cada vez menores para sua conclusão. Sendo assim, o desafio será tanto para novas empresas tentando ocupar seu espaço quanto para empresas mais estruturadas que executarão obras mais complexas.