PONTO DE VISTA
As competências para projetar, produzir e montar estruturas pré-fabricadas são muito diferentes das necessárias para estruturas moldadas “in loco”. Os profissionais com as competências necessárias e experiência são poucos no mercado e demoram para serem formados.
A produção de elementos pré-fabricados é realizada em fábricas, com máquinas e equipamentos apropriados, o que permite alcançar maior produtividade e segurança do que em um canteiro de obras. O transporte e a montagem destes elementos implicam situações transitórias, com esforços e carregamentos que precisam ser considerados no dimensionamento destes elementos e das ligações, para garantir a estabilidade até que a estrutura esteja devidamente solidarizada em sua condição de utilização. Para estes serviços, é preciso contar com montadores especializados, sob supervisão de engenharia, para garantir a segurança estrutural e evitar riscos.
Em relação aos contratantes, quando forem escolher um parceiro para seu empreendimento, é importante que verifiquem a competência e a experiência da empresa e de seus profissionais no tipo de obra que desejam executar e não busquem alguém somente pelo preço. Como em qualquer outro setor, sempre haverá alguma empresa que se proponha a executar uma obra acima de sua capacidade técnica.
Um bom critério é escolher empresas associadas à Abcic que estejam credenciadas pelo Selo de Excelência da Associação.
A construção industrializada tem se destacado por sua adoção de inovação e tecnologia. Poderia comentar o momento atual do setor nesta área?
Alguns obstáculos do passado, como o acesso a sistemas modernos e automatizados de produção, a alguns aditivos de alta performance para concreto e a sistemas de ligação, estão disponíveis para empresas brasileiras. Temos carretas especiais para transporte de elementos pesados ou de grandes dimensões, guindastes e gruas para montagem em grandes alturas. Mesmo para a execução de edifícios altos de múltiplos pavimentos, que podem chegar a 100 metros de altura, a engenharia nacional tem competência para elaboração do projeto, temos algumas fábricas que podem produzir estes elementos com concretos de resistência à compressão de até 100 Mpa e temos equipes especializadas para a montá-los.
Um grande obstáculo que ainda persiste é a alta taxa de juros aqui no Brasil para a modernização das fábricas e a aquisição de novos equipamentos que permitiriam maior produtividade e ganho de competitividade para todo o setor da construção.
Por meio das obras de alta complexidade e desafiadoras que empresas associadas estão realizando, inclusive algumas vencedoras do Prêmio de Obra do Ano da Abcic, é possível avaliar o nível atual de desenvolvimento tecnológico da pré-fabricação de concreto no Brasil.
Temos crescido também na área de infraestrutura, em especial na infraestrutura viária e na mobilidade urbana. Rodovias, aeroportos e, em especial, concessionados vêm a grande valor na adoção de pré-fabricados de concreto por vários motivos: maior segurança, em especial em casos de duplicação de rodovias, em que a rodovia principal permanece em operação; maior facilidade de operação em horários de menor pico; menor contingente de pessoas, o que implica segurança; menores custos de manutenção em função da durabilidade e da vida útil. Estamos presentes em estações de metrô, viadutos, passarelas, pontes, praças de pedágio, portos e BRT´s entre outros.
Nesse sentido, como o Selo de Excelência da ABCIC tem contribuído para o desenvolvimento do setor?
Para empresas associadas, o Selo de Excelência é um bom referencial para melhorar a qualidade, a produtividade e a segurança tanto no processo fabril quanto na execução dos serviços nos canteiros de obra. Também é um incentivo ao cumprimento das Normas Técnicas da ABNT, das Normas Reguladoras e das boas práticas de gestão, como a responsabilidade social e a sustentabilidade.