INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA
Empreendimentos como surf indoor, complexos dos rodeios, autódromos, centros de eventos, arenas esportivas e espaços urbanos de lazer e espaços na orla marítima, demonstram que. a industrialização em concreto vem assumindo protagonismo em projetos que exigem velocidade construtiva, grandes vãos, durabilidade e flexibilidade de uso
“Como os elementos chegam prontos para instalação, a montagem torna-se mais rápida e previsível, contribuindo para reduzir o prazo físico do empreendimento e proporcionando ganhos importantes na entrega final da obra, sem abrir mão do controle tecnológico e da qualidade exigidos em intervenções executadas em ambientes de elevada agressividade ambiental”, destaca Cerqueira.
Autódromos
O Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, tornou-se mais um exemplo da aplicação estratégica do sistema pré-fabricado. Executada em 2011, a ampliação das arquibancadas permanentes do Setor B foi concebida integralmente com estruturas industrializadas de concreto, solução escolhida para atender às rigorosas exigências de prazo impostas pelo calendário internacional de eventos do circuito.


Cliente: J. Z. Engenharia e Comércio Ltda.
Volume de concreto: 765 m³
Tipo de peças: Pilares, vigas, escadas, placas de arquibancadas e laje alveolar
Projeto Estrutural: PRCA Engenharia Ltda. sob respaldo SP OBRAS
Período de execução da obra: agosto de 2011 a setembro de 2011
Antes mesmo do início da fabricação das peças pela IBRPré, foi realizado um amplo estudo de engenharia para adaptar o projeto arquitetônico, originalmente concebido para outro sistema construtivo, a uma solução totalmente em concreto pré-fabricado. Esse processo permitiu otimizar as ligações estruturais, racionalizar a montagem e garantir que todos os elementos chegassem ao canteiro prontos para a instalação, reduzindo significativamente as atividades de campo. O resultado foi um canteiro muito mais organizado, limpo e eficiente.
Executar uma obra em um dos principais autódromos da América Latina significou enfrentar desafios logísticos pouco comuns na construção civil. O principal deles foi compatibilizar todas as etapas da montagem com os preparativos para o Grande Prêmio de Fórmula 1, evento que exige rigor absoluto na preservação das condições da pista.
A circulação dos caminhões responsáveis pelo transporte das estruturas tornou-se uma operação de engenharia à parte. Para evitar qualquer dano ao pavimento especial utilizado nas competições, as carretas precisavam realizar suas manobras sem esterçar completamente o volante quando paradas, impedindo que os pneus provocassem marcas ou esforços capazes de comprometer a superfície do circuito. Essa condição exigiu planejamento detalhado das rotas internas, controle rigoroso das operações de transporte e sincronização precisa entre fabricação, entrega e montagem das peças.
A escolha pelo sistema pré-fabricado se deu principalmente pela necessidade de cumprir um cronograma incompatível com os métodos construtivos convencionais. A fabricação dos componentes estruturais em ambiente industrial permitiu a execução simultânea de diferentes etapas da obra. Quando as peças chegaram ao autódromo, toda a operação concentrou-se na montagem. Outro aspecto importante foi a menor geração de resíduos.
Ainda como vantagem, está a entrega do acabamento final, o que reduz a necessidade de revestimentos e de outras etapas complementares normalmente realizadas após a execução da estrutura principal. Essa característica acelerou ainda mais a liberação da área para uso.