INDUSTRIALIZAÇÃO EM PAUTA
Empreendimentos como surf indoor, complexos dos rodeios, autódromos, centros de eventos, arenas esportivas e espaços urbanos de lazer e espaços na orla marítima, demonstram que. a industrialização em concreto vem assumindo protagonismo em projetos que exigem velocidade construtiva, grandes vãos, durabilidade e flexibilidade de uso
“Trata-se de um exemplo de como o sistema industrializado, com o uso de elementos pré-fabricados de concreto, consegue atender simultaneamente às demandas estruturais, arquitetônicas e operacionais. O uso das vigas invertidas possibilitou atender às exigências da área da praia artificial sem comprometer a qualidade dos ambientes inferiores, ao mesmo tempo em que ampliou a flexibilidade para instalações”, avalia Ana.
A elevada complexidade do retrofit exigiu um intenso trabalho de compatibilização entre a arquitetura, a estrutura e as instalações. Nesse contexto, o uso da metodologia BIM tornou-se decisivo para integrar todas as disciplinas envolvidas no empreendimento, reduzindo interferências antes mesmo do início da fabricação das peças.
Além da compatibilização digital, outro grande desafio foi o controle de qualidade ao longo das etapas de fabricação, transporte e montagem dos elementos estruturais. Algumas peças atingiram 44 toneladas, exigindo planejamento detalhado para transporte especial, içamento e posicionamento na obra. A logística envolveu monitoramento permanente das operações de montagem, garantindo precisão executiva e segurança em todas as etapas do processo.
Embora a produtividade e a redução de prazos tenham sido fatores importantes na escolha do sistema construtivo, Ana destaca que a evolução tecnológica da pré-fabricação foi determinante para atender às expectativas do projeto arquitetônico. Para ela, a industrialização permitiu a produção de peças em paralelo à execução das fundações e das demais intervenções do retrofit, reduzindo significativamente o prazo da obra. Ao mesmo tempo, os avanços nos processos de projeto, fabricação e montagem eliminaram antigas limitações do sistema.
"A modernização dos processos permitiu que os elementos pré-fabricados deixassem de ser vistos como soluções limitadas do ponto de vista arquitetônico, passando a atender a projetos sofisticados, com grandes vãos, formas diferenciadas e elevada exigência estética”, explica a engenheira.
Em sua avaliação, essa evolução explica o crescimento da pré-fabricação em empreendimentos voltados ao lazer e ao entretenimento. "No Beyond The Club, o sistema foi amplamente utilizado em arenas esportivas, espaços fitness, piscinas aquecidas e jardins internos, demonstrando a versatilidade e o elevado desempenho técnico da solução”, pondera.
Surf Indoor
Outro case no setor é o Surf Center, localizado em Curitiba (PR), a primeira academia de surf coberta e aquecida do mundo, que exigiu soluções estruturais pouco convencionais. A combinação entre concreto moldado in loco e elementos pré-fabricados permitiu atender simultaneamente às exigências técnicas da piscina de ondas, à sofisticação arquitetônica do empreendimento e ao rigoroso cronograma de execução.

Cliente: Daeng Engenharia e Construções Ltda.
Volume de concreto: 927,23 m³
Tipo de peças: estacas, pilares, vigas armadas e protendidas, escadas, lajes alveolares e painéis alveolares de fechamento.
Projeto Estrutural: Cristiano Soares Rodrigues (Cassol Pré-Fabricados)
Arquitetura: Vivian Eliese Hoeflich Brune
Período de execução da obra: fevereiro/2023 a maio/2024
A opção por uma estrutura híbrida nasceu da própria concepção do projeto. Enquanto a piscina de ondas, responsável pela geração e propagação das ondas artificiais, exigia um fundo com geometria extremamente irregular, o que inviabilizava a industrialização dessa etapa, toda a superestrutura foi concebida com componentes pré-fabricados de concreto.